Pavel Golovkin/Pool/ Reuters
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Política externa tem 'olhos postos' no mundo, mas em primeiro lugar no Brasil, diz Bolsonaro

Presidente pregou a necessidade de ampliar a cooperação entre os cinco países do Brics e lembrou que o mundo pede percebeu a relevância de economias emergentes durante a crise da década passada

O Estado de S.Paulo

14 de novembro de 2019 | 12h40

O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quinta-feira, 14, durante reunião de cúpula de líderes do Brics, em Brasília, que a política externa de seu governo “tem os olhos postos no mundo, mas em primeiro lugar no Brasil". 

Bolsonaro deu a declaração ao discursar na sessão plenária do encontro de cúpula do bloco, formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. A reunião neste ano é realizada em Brasília, já que o Brasil exerce a presidência rotativa do bloco.

Ao se dirigir aos demais líderes do Brics, Bolsonaro afirmou que prioriza o Brasil na política externa de seu governo a fim de ficar em "sintonia" com a sociedade, na tentativa de melhorar as condições de vida dos cidadãos brasileiros.

“Senhores chefes de Estado e de governo, a política externa do meu governo tem os olhos postos no mundo, mas em primeiro lugar no Brasil, para estar em sintonia com as necessidades da nossa sociedade”, disse. “Reconhece como parte de suas obrigações ajudar a ampliar o bem-estar de nossos cidadãos, sob forma de avanços em ciência, tecnologia e inovação, de mais e melhores empregos, de mais renda, de melhor sistema de saúde pública, tudo mais que faça diferença para o melhor cotidiano de todos”, discursou. 

Desde que assumiu a Presidência, Bolsonaro declara que deseja fazer comércio com todos os países do mundo, sem o que chama de "viés ideológico". Contudo, seu governo faz uma aproximação com os Estados Unidos e faz críticas a países governados por políticos de esquerda.

No discurso, Bolsonaro também destacou que a relevância econômica do Brics é "inquestionável" e tende a crescer nas próximas décadas. “Hoje, a relevância econômica do Brics é ainda mais inquestionável e seguirá crescendo nas próximas décadas. A sua pujança no plano econômico, junto à diversidade e à criatividade e o vigor das nossas sociedades e de nossos povos", disse.

O presidente brasileiro pregou a necessidade de se ampliar a cooperação entre os cinco países do bloco e lembrou que o mundo pede percebeu a relevância de economias emergentes durante a crise da década passada.

China

O presidente da China, Xi Jinping, voltou a criticar em seu discurso o “protecionismo” e o “unilateralismo” nas relações comerciais e defendeu o papel da Organização das Nações Unidas (ONU).

Para Xi, “o aumento do protecionismo e do unilateralismo” criam um “déficit de governança”, o que não é positivo. A China, por exemplo, trava uma disputa comercial com os Estados Unidos.

“Precisamos e fortalecer solidariedade e desenvolvimento em prol do bem dos nossos povos em prol do bem de nossos mundos”, disse. “Devemos nos opor ao hegemonismo e a política do poder e adotar uma política construtiva”.

O líder asiático também afirmou que a China deseja ampliar sua abertura comercial, acelerando a proteção de propriedade intelectual.

“Buscamos uma abertura em múltiplos níveis e múltiplas dimensões da China”, afirmou.

O presidente chinês argumentou que mercados emergentes, como os dos países do Brics, “precisam entender” os tempos atuais e aprofundar a parceria dentro do bloco em temas como comércio, tecnologia e conectividade.

“Esses esforços darão novo ímpeto de alento para fomentar crescimento econômico e prosperidade de nossos países”, argumentou.

Xi ainda ressaltou a importância da agenda 2030, proposta pelas Nações Unidas, e do acordo de Paris, que, segundo ele, fomentará o “avanço coordenado em matéria de desenvolvimento ambiental”.

Rússia

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, falou à sessão plenária sobre a necessidade de um esforço dos Brics para assumir um “papel de liderança” na ONU.

“Deveríamos trabalhar de modo mais vigoroso, mais empenhado e comprometido para promover uma agenda internacional positiva. Deveríamos reunir países de mentalidade afim, em prol da resolução de questões globais e regionais cruciais”, declarou Putin.

Estas questões globais, segundo o premiê russo, incluem o combate ao terrorismo e ao que chamou de “propagação da ideologia terrorista”. Em 2020, a Rússia assume a presidência rotativa do bloco – a Cúpula será realizada em São Petersburgo.

Putin disse que pretende usar a data para relembrar os 75 anos do fim da 2ª Guerra Mundial. “Parece-me importante condenar quaisquer tentativas no sentido de glorificar o nazismo e seus aliados, bem como apoiar resolutamente uma ordem mundial com base no direito internacional e na Carta Fundadora da ONU.”

Índia

Em seu discurso, o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, relembrou que o surgimento do Brics se deu em um ambiente conturbado. O grupo surgiu em 2009, em meio à crise econômica, mas hoje é um dos “propulsores do desenvolvimento econômico do mundo", afirmou. 

“Ainda há muitas possibilidades disponíveis para melhorarmos a cooperação para podermos enfrentar os desafios que estão presentes no mundo e na economia mundial. Precisamos prestar atenção especial às nossas políticas de comércio e investimento em nossos países”, declarou.

Modi sugeriu que os ministros das relações exteriores dos países que compõem o grupo se reúnam para reduzir custos bancários e taxações sobre transações entre os governos.

Modi ainda disse que o multilateralismo e o comércio exterior “baseado em regras” enfrenta desafios e pediu atuação conjunta dos Brics para evitar problemas. “Para reformar e fortalecer o Conselho de Segurança, a OMC e outros órgãos globais nós temos que agir juntos”, declarou.

O primeiro-ministro citou ainda a ameaça do terrorismo, tráfico de drogas e o crime organizado à economia global, com perdas da ordem de US$ 1 trilhão. “Isso compromete o nossos desenvolvimento e o nosso comércio”, disse Modi.  

O primeiro-ministro indiano também manifestou apoio ao conselho do Brics para mulheres empresárias e ressaltou o aumento da participação de mulheres na política do país. “Na última eleição geral que nós tivemos, pela primeira vez na história, o número de eleitoras foi o mesmo que o de eleitores e o número de mulheres que foram eleitas para cargos públicos supera 1.800”, afirmou. (Mateus Vargas, Lorenna Rodrigues, Felipe Frazão e Camila Turtelli)

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