Gabriela Bilo/Estadão - 12/8/2021
Gabriela Bilo/Estadão - 12/8/2021

Bolsonaro: Está crescendo tendência de caminhoneiros pararem o Brasil

Presidente afirmou que o motivo seria a alta dos combustíveis e voltou a culpar a Petrobras pelos aumentos

Eduardo Gayer , O Estado de S.Paulo

08 de novembro de 2021 | 12h56

BRASÍLIA - O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta segunda-feira, 8, em entrevista à rádio Jovem Pan Curitiba, que está crescendo a "tendência de caminhoneiros de parar o Brasil” por causa da alta dos combustíveis. “É uma coisa que afeta todo mundo”, disse, sobre potenciais impactos de bloqueios.

Ele mais uma vez pediu responsabilização da Petrobras pelo salto no preço dos combustíveis. “Vamos reclamar de quem é realmente responsável por isso, a Petrobras”, disse na entrevista, dirigindo-se aos caminhoneiros. “A melhor coisa que pode fazer para o social é baratear os combustíveis”, acrescentou. 

O governo tem buscado desmobilizar possíveis protestos de caminhoneiros, uma base de apoio do Palácio do Planalto, preocupado com o impacto econômico de eventuais bloqueios em um contexto de crise.

Nesta segunda, a Anfavea, entidade que representa as montadoras de veículos no Brasil, informou que a paralisação dos caminhoneiros na semana passada dificultou a retirada de peças no porto de Santos, o que pode levar a novas interrupções nas linhas de montagem em um momento em que as fábricas não conseguem recompor estoques.

Mais uma vez na tentativa de se blindar de críticas sobre a alta dos combustíveis, Bolsonaro voltou a jogar o problema no colo da Petrobras e a criticar a empresa. “Os dividendos são, no meu entender, absurdos. R$ 31 bilhões em três meses. Eu não quero na parte da União ter esse lucro fantástico”, afirmou.

No fim de outubro, Bolsonaro já havia dito que a Petrobras não poderia dar um lucro muito alto, causando impacto negativo no mercado financeiro. A petrolífera registrou lucro de R$ 31,14 bilhões no terceiro trimestre deste ano.

O presidente ainda voltou a criticar a política de preços da Petrobras, chamada por ele de equivocada. “Nós somos autossuficientes em petróleo, não justifica isso aí. Não podemos ficar escravizados ao preço lá de fora”, afirmou, sobre o alinhamento dos reajustes de preços no Brasil à variação do petróleo no mercado internacional. “Lucro da Petrobras, ao longo dos anos, grande parte vai para acionistas."

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.