Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

Bolsonaro liga para presidente da Caixa explicar empréstimos após reportagem do 'Estado'

Questionado sobre empréstimos do banco para o Nordeste, ele ligou para Pedro Guimarães e colocou no viva-voz para que os jornalistas que o aguardavam na saída do Palácio da Alvorada pudessem ouvir a explicação

Mariana Haubert, O Estado de S.Paulo

02 de agosto de 2019 | 09h39

BRASÍLIA - O presidente Jair Bolsonaro telefonou nesta sexta-feira, 2, para o presidente da Caixa, Pedro Guimarães, cobrando explicações sobre reportagem do Estadão/Broadcast que revelou o baixo número de empréstimos a Estados e municípios do Nordeste. A reportagem mostra que a Caixa reduziu a concessão de novos empréstimos para o Nordeste neste ano, de acordo com levantamento feito a partir de números do próprio banco e do sistema do Tesouro Nacional.

Na frente dos jornalistas que o aguardavam na saída do Palácio da Alvorada, Bolsonaro ligou para o presidente da Caixa e o colocou no viva-voz para que os representantes da imprensa pudessem ouvir a explicação.

"Não existe nenhuma indicação para não favorecer uma região ou outra", justificou o presidente do banco. "Este ano, liberamos muito mais dinheiro para a Região Nordeste. O que acontece é que você tem uma série de esteiras de análise. Neste momento, estamos analisando inclusive para o Estado da Paraíba e para o município de São Luís (MA)", disse.

Os dados da própria Caixa, no entanto, mostram o contrário. A reportagem revelou que em 2019, até julho, o banco autorizou novos empréstimos no valor de R$ 4 bilhões para governadores e prefeitos de todo o País. Para o Nordeste, foram fechadas menos de dez operações, que juntas totalizam R$ 89 milhões, ou cerca de 2,2% do total - volume muito menor do que em anos anteriores.

No ano passado, a região recebeu R$ 1,3 bilhão, o equivalente a 21,6% dos R$ 6 bilhões fechados pela Caixa em operações para governos regionais. Em 2017, o banco contratou R$ 7 bilhões, dos quais R$ 1,3 bilhão foi direcionado para governadores e prefeitos nordestinos (18,6% do total).

Segundo apurou o Estadão/Broadcast com fontes do banco e da área econômica, a ordem para não contratar operações para os Estados e municípios do Nordeste veio do presidente Pedro Guimarães. Sob condição de anonimato, elas confirmaram que ouviram a orientação em mais de uma ocasião, como mostrou a reportagem. 

Na ligação telefônica com o presidente, Guimarães disse não reconhecer o dado que consta no próprio site da instituição. "Esse dado não é algo que reconhecemos. Simplesmente pegaram um dado específico, mas vai ser normalizado. Mas se é 20%, 15%, essa é uma análise técnica. É matemática", disse.

Ao encerrar a ligação, Bolsonaro afirmou que "isso é igual o desmatamento", em referência a dados oficiais contestados por ele recentemente. A divulgação feita pelo Inpe levou à saída do presidente Ricardo Galvão do cargo.

 

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