Adriano Machado/Reuters
Adriano Machado/Reuters

Bolsonaro diz que Petrobras pode quebrar Brasil e fala em risco de desabastecimento de diesel

Declaração do presidente foi feita durante entrevista coletiva marcada para tratar das ações do governo federal em auxílio às vítimas das enchentes que mataram dezenas de pessoas em Pernambuco

Da redação, O Estado de S.Paulo

30 de maio de 2022 | 17h41
Atualizado 30 de maio de 2022 | 19h22

BRASÍLIA - O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta segunda-feira, 30, que a Petrobras, a maior empresa brasileira, pode "quebrar o Brasil" se houver novos aumentos do diesel. Ele assumiu que há risco de desabastecimento do combustível, o que pode obrigar o racionamento, caso a situação se agrave. 

“Não (temos risco de desabastecimento) ainda. Nós precisamos de refino. Se o mundo subir muito o preço dos combustíveis, não destilar lá fora, não refinar, pode faltar, não só para nós, para o mundo todo. Temos que importar gasolina e diesel porque não temos capacidade de refino”, afirmou o presidente durante entrevista ao programa Alerta Nacional, da RedeTV!, gravada no último sábado, 28, em Manaus, e exibida hoje. 

Ele ainda falou na necessidade de uma campanha para economizar diesel, caso a situação do abastecimento se agrave. Bolsonaro afirmou que o País tem estoque suficiente para garantir 40 dias do combustível, sem importação. A Petrobras enviou ofício ao Ministério de Minas e Energia (MME) no início da semana passada com alerta sobre a possibilidade de faltar diesel no Brasil.

Mais cedo, durante entrevista coletiva marcada para tratar das ações do governo federal em auxílio às vítimas das enchentes que mataram dezenas de pessoas em Pernambuco, Bolsonaro voltou a criticar os governadores. "É um crime se cobrar um real de ICMS por litro de óleo diesel", disse. O presidente acabou tratando de diversos outros assuntos não relacionados à tragédia, e disse que os governadores querem fazer caixa com ICMS mesmo já tendo recursos.

"Como alertei no mês passado, a Petrobras pode quebrar o Brasil com isso (o aumento do diesel)", seguiu o presidente. Segundo Bolsonaro, o governo federal tenta encontrar formas legais, "sem interferir", de baixar o preço dos combustíveis.

Na semana passada, o governo anunciou mais uma troca na presidência da Petrobras, a terceira em três anos, em mais uma tentativa de controlar os reajustes nos preços dos combustíveis.

Ele também voltou a criticar o que chama de lucros excessivos da petroleira. Ele acusou a estatal de não ter responsabilidade com o momento do País e cobrou o aumento no intervalo dos reajustes de preços dos combustíveis. 

“Petrobras tem seus problemas, mas não tenho como mandar lá. Temos que respeitar o livre mercado, mas a Petrobras abusa. A Petrobras não precisa desse lucro excessivo e, no momento, não tem qualquer responsabilidade, quer mais é arrancar dinheiro do povo”, reclamou durante entrevista ao programa Alerta Nacional, da RedeTV!. 

O presidente não disse, mas como principal acionista, a União recebe a maior parte dos dividendos da estatal, que vão direto para o caixa do governo. Como mostrou o Estadão, entre janeiro de 2019 (início do governo Bolsonaro) e março deste ano, a Petrobras já injetou nos cofres federais R$ 447 bilhões, levando-se em conta, além dos dividendos, os impostos e os royalties pagos. / COM REUTERS E BROADCAST

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