Gabriela Bilo/Estadão - 12/8/2021
Gabriela Bilo/Estadão - 12/8/2021

Bolsonaro: 'Petrobras vai anunciar novo reajuste daqui a uns 20 dias. Isso não pode acontecer' 

Na Itália, presidente disse que semana será de 'jogo pesado' em relação à estatal, mas sem explicar o que isso significa; Petrobras afirma que não há decisão tomada sobre aumento de preços

Eduardo Gayer, Matheus de Souza e Amélia Alves, O Estado de S.Paulo

01 de novembro de 2021 | 12h05
Atualizado 01 de novembro de 2021 | 16h16

BRASÍLIA e SÃO PAULO - Em meio a temores no mercado financeiro de ingerência política na Petrobras, o presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta segunda-feira, 1.º, que a semana será de "jogo pesado" com a empresa, sem detalhar qual seria a estratégia do governo ao longo dos próximos dias. O chefe do Executivo disse saber, de forma extraoficial, que a estatal fará um novo reajuste nos preços dos combustíveis dentro de 20 dias. "Isso não pode acontecer", afirmou sobre o novo aumento.

As declarações foram dadas a jornalistas na cidade italiana de Anguillara Veneta, onde o presidente recebeu o título de cidadão local. Para comparecer à agenda de caráter pessoal, Bolsonaro deixou de ir à COP-26, evento em Glasgow, na Escócia, que reúne os principais líderes globais para discutir temas relacionados ao meio ambiente

Horas depois da fala de Bolsonaro, a Petrobras enviou um comunicado ao mercado rebatendo a informação. Segundo a empresa, os ajustes de preços "são realizados no curso normal de seus negócios" e "seguem as suas políticas comerciais vigentes". A petroleira também nega que antecipa decisões de reajuste e reforça que não há nenhuma decisão tomada por seu Grupo Executivo de Mercado e Preços (GEMP) que ainda não tenha sido anunciada ao mercado.

Questionado sobre o Auxílio Brasil, o programa que substitui o Bolsa Família, o presidente desconversou e disse que a prioridade, neste momento, é a disparada do valor dos combustíveis. "Essa semana vai ser um jogo pesado com a Petrobras. Porque eu indico o presidente. Quer dizer, tem de passar pelo conselho, não sou eu quem indicou, passa pelo conselho. E tudo de ruim que acontece lá cai no meu colo. O que é de bom, não cai nada em meu colo", reclamou Bolsonaro.

"Uma notícia que eu dou pra vocês, eu tenho pressa, a Petrobras vai anunciar, eu sei extraoficialmente, novo reajuste daqui a uns 20 dias. Isso não pode acontecer", acrescentou.

Apesar de o governo ser o principal acionista da Petrobras, o presidente ainda disse que não se importa com o lucro da estatal repassado à União. "O que eu quero da Petrobras? Não quero no tocante aos rendimentos que a Petrobras dá para o governo federal, não me interessa esse recurso. Tenho conversado com Paulo Guedes, nós queremos que isso seja revertido diretamente em diminuição do preço do diesel na ponta da linha", disse.

Na última quinta-feira, a Petrobras informou lucro de R$ 31,14 bilhões no terceiro trimestre deste ano. "Vi muito rapidamente", limitou-se a responder Bolsonaro sobre o balanço da empresa.

O presidente ainda voltou a dizer que pediu ao ministro da Economia, Paulo Guedes, para estudar a privatização da Petrobras, e novamente jogou a alta dos combustíveis, que corrói sua popularidade, no colo do ICMS cobrado pelos governadores. "A minha contribuição eu já dei", afirmou.

Na sexta-feira, no entanto, Estados aprovaram, por unanimidade, resolução de congelamento do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) cobrado sobre os combustíveis por 90 dias, como forma de mitigar a disparada de preços do produto.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.