Joédson Alves/EFE - 9/2/2021
Joédson Alves/EFE - 9/2/2021

Alvo de Bolsonaro, presidente da Petrobrás tem apoio de membros do conselho

Presidente da República mostrou insatisfação com direção da empresa, mas conselheiros dizem não ver motivo para eventual troca no comando; mudança precisaria do aval do conselho

Denise Luna, Fernanda Nunes e Mariana Durão, O Estado de S.Paulo

19 de fevereiro de 2021 | 16h23

RIO - Uma eventual demissão de Roberto Castello Branco, presidente da Petrobrás, que passou a ser cogitada após as declarações recentes do presidente Jair Bolsonaro, precisaria do aval do conselho de administração da empresa. E a avaliação é que essa não seria uma tarefa fácil, dado o atual perfil do conselho, em sua maioria formado por representantes do mercado financeiro, alinhados à atual gestão da companhia.

Bolsonaro sinalizou na quinta-feira, 18, em live nas redes sociais, que não está satisfeito com o presidente da Petrobrás, após o anúncio de mais um reajuste do preço do óleo diesel, de 15,2%, o maior do ano. E repetiu a indicação na manhã desta sexta-feira, 19. "Anuncio que teremos mudança, sim, na Petrobrás. Jamais vamos interferir nessa grande empresa na sua política de preço, mas o povo não pode ser surpreendido com certos reajustes", declarou o presidente durante evento do governo em Sertânia (PE).

"Não tem motivo para trocar o presidente. Seria trocar seis por meia dúzia e em time que está ganhando não se mexe", afirmou o conselheiro Marcelo Mesquita, que, apesar de avaliar que não pode falar em nome de todo o conselho, acrescentou que "todos gostam muito do Roberto e têm dado muito apoio ao que ele vem fazendo na empresa". Segundo ele, o colegiado vai se reunir na próxima terça e quarta-feira para analisar o resultado financeiro de 2020, que será divulgado no dia 24 deste mês. Na reunião, também deve ser  discutido um novo mandato de dois anos para Castello Branco na estatal. Outros dois conselheiros, que falaram sob a condição de anonimato, também disseram não ver motivos para uma troca de direção nesse momento.

O conselho da Petrobrás é formado por 11 membros. Desse total, sete são eleitos pelo acionista controlador, a União. Há ainda uma representante dos empregados, Rosângela Buzzanelli Torres, e outros três dos acionistas minoritários - os advogados Leonardo Antonelli e Rodrigo de Mesquita (ex-promotor de Justiça); e Marcelo Mesquita, sócio fundador da Leblon Equity.

Os conselheiros da União, embora sejam indicados pelo governo, são independentes. A maioria do quadro atual fez carreira na iniciativa privada e tem experiência de participação em conselhos de administração de grandes empresas. São eles: Omar Carneiro da Cunha Sobrinho, ex-executivo da Shell; João Cox, conselheiro da Braskem e Embraer, e ex-presidente do conselho da telefônica TIM; e Paulo César de Souza e Silva, ex-presidente da Embraer

Da cota dos militares, há ainda o presidente do colegiado, Eduardo Barcellar Leal Ferreira, e Ruy Flaks Schneider, oficial da reserva da Marinha, próximo ao ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque. Schneider teve o nome cotado para assumir a presidência da Eletrobrás.

Nivio Ziviani também representa a União, mas tem um perfil mais técnico. Ele é professor emérito do departamento de Ciência da Computação na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

De todo quadro, os porta-vozes dos pequenos investidores em Bolsa são defensores explícitos, assim como Castello Branco, do livre mercado de combustíveis, com os preços oscilando no Brasil conforme as movimentações da cotação do petróleo no exterior. É possível que os membros eleitos pelo governo com histórico na iniciativa privada também sigam a mesma linha de pensamento.

 

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