Gabriela Biló/Estadão
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Bolsonaro promete desconto para PMs na Ceagesp, mas quem paga a conta?

Presidente destoa da política do seu ministro da Economia e segue concedendo benesses a militares das Forças Armadas e policiais militares

Adriana Fernandes*, O Estado de S.Paulo

12 de janeiro de 2021 | 14h41

Em vídeo postado na segunda-feira, 11, nas redes sociais pela deputada estadual de São Paulo Leticia Aguiar (PSL), o presidente Jair Bolsonaro prometeu desconto de 20% para os policiais militares que comprarem alimentos na Ceagesp, empresa estatal federal de armazéns e entreposto vinculada ao Ministério da Economia, de Paulo Guedes

O presidente diz no vídeo que os permissionários da Ceagesp aceitaram a ideia, mas não conta quem vai financiar. Se será livre escolha deles oferecer ou não o desconto para policiais fardados e armados que forem até lá comprar comida. Ou se serão coagidos a dar o desconto com o lema “Ajude quem nos ajuda” pregado pelo comando da empresa estatal.  


Para receber o desconto, basta o PM chegar lá fardado, como bem explicou o próprio presidente: “Boa notícia para o pessoal de São Paulo. Policial militar de São Paulo pode comprar na Ceagesp, fardado ou com documento, o que ele quiser comprar para a sua mesa com desconto de 20%. Sugestão do coronel Mello Araújo e acolhida pelos permissionários. Uma maneira de prestigiar a classe dos militares”, diz o presidente. Ao final, ele ainda ironiza e diz que a notícia não vai sair em nenhum jornal. 

O coronel Ricardo Augusto Nascimento de Mello Araújo é o novo presidente da Ceagesp. É da reserva da PM de São Paulo e ex-comandante da Rota.

Em dezembro, durante visita à Ceagesp, o presidente Jair Bolsonaro já havia descartado a privatização da estatal com o discurso de que nenhum “rato” iria sucatear a empresa para privatizar. A fala na época foi interpretada como um ataque ao governador de São Paulo, João Doria (PSDB), que defende privatização da área onde hoje se encontra o entreposto. 

Mais uma vez Bolsonaro destoa da política do seu ministro da Economia e segue concedendo benesses a militares das Forças Armadas e policiais militares na sua ambição de ampliar o seu exército particular de apoiadores nas forças militares. Foi assim na reforma da Previdência e também ao demorar a sancionar a lei que congelou os salários dos servidores até o final deste ano dando tempo para que reajustes fossem concedidos nos Estados. No Orçamento da União, os militares também têm recebido tratamento diferenciado.

O presidente segue estimulando distorções e privilégios para semear o caminho da sua permanência no cargo. Depois ele volta com o discurso de que não pode fazer nada porque o País está quebrado. Bolsonaro já está fazendo. Como mostrou o Estadão, o governo trabalha para que o Congresso aprove projetos que restringem o poder político dos Estados sobre as tropas armadas e os bombeiros em todo o País.

*É REPÓRTER ESPECIAL DE ECONOMIA EM BRASÍLIA

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