Gabriela Biló/Estadão
Gabriela Biló/Estadão

Bolsonaro promete 'empenho' para baixar inflação e conseguir mais empregos

Em discurso marcado por palavrões no Rio Grande do Norte, presidente ainda reiterou críticas indiretas ao STF e voltou a reclamar da política de preços da Petrobras

Eduardo Gayer, O Estado de S.Paulo

09 de fevereiro de 2022 | 12h24

BRASÍLIA - No dia em que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revelou a maior alta da inflação para janeiro nos últimos seis anos - o IPCA bateu 10,38% no acumulado de 12 meses -, o presidente Jair Bolsonaro prometeu mais uma vez empenho do governo contra a alta dos preços e reiterou críticas indiretas ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Em discurso marcado por palavrões durante visita à Barragem de Oiticica, em Jucurutu, Rio Grande do Norte, Bolsonaro ainda voltou a reclamar da política de preços da Petrobras e a culpar governadores pelo preço dos combustíveis, um dos inimigos do presidente na perda de popularidade.

Bolsonaro está em tour pelo Nordeste para inaugurar trechos da transposição do Rio São Francisco. Ele aposta na megaobra de infraestrutura e no Auxílio Brasil para fortalecer sua imagem no Nordeste, região onde o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem a maior força eleitoral.

"No corrente ano, vamos nos empenhar para baixar a inflação e também conseguir mais empregos", prometeu o presidente, sem citar os dados de hoje, mas reconhecendo o salto no valor dos combustíveis. "Não tenho poder de chegar na Petrobras e falar 'está congelado, diminui preço do combustível'. Até gostaria de ficar livre da Petrobras, porque me acusam de uma coisa que não tenho responsabilidade", acrescentou, jogando a culpa da alta do preços de combustíveis em governadores pela cobrança de ICMS. A inflação fechou o ano passado o dobro da meta estipulada pelo governo e o Banco Central já reconhece em suas estimativas que a alta de preços este ano também deve estourar a meta.

Em mais um episódio de tensão com o STF desde que descumpriu a determinação do ministro Alexandre de Moraes e se recusou a prestar depoimento na Polícia Federal, Bolsonaro recusou a pecha de antidemocrático. "Não prendi deputado, não desmonetizei página de ninguém", declarou, em crítica indireta à Suprema Corte. "Alguns falam que presidente é mal educado, fala palavrão, mas eu não roubo".

Bolsonaro ainda repetiu que não errou em nenhum momento durante a pandemia de covid-19 e voltou a usar expressões pejorativas para se referir a nordestinos. "Minha esposa é filha de um cabra da peste, de um cabeça chata".

O presidente também se queixou de não poder represar a água do Rio São Francisco em território potiguar em razão das populações ribeirinhas. "Virou questão política por parte da governadora (Fátima Bezerra, PT). É dar atenção a minorias que lutam pelo direito a 'não barragens'. O que é isso? Por causa de 10, 15 famílias?", questionou. "Espero que em breve isso seja solucionado". 

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