André Coelho/ EFE
André Coelho/ EFE

Bolsonaro reclama de Brasil ser lanterna em destino de desembolsos de banco do Brics

País teve US$ 1,4 bilhão em projetos aprovados, em compensação, a Rússia recebeu US$ 1,7 bilhão; Índia, US$ 3,7 bilhões e China, US$ 3,8 billhões

O Estado de S.Paulo

14 de novembro de 2019 | 16h32

BRASÍLIA - O Brasil fica na lanterna no destino dos desembolsos do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), o banco do Brics, que aplica principalmente em infraestrutura. Esse desequilíbrio gerou uma cobrança pública do presidente Jair Bolsonaro durante a cúpula do bloco, em Brasília. De acordo com dados da instituição, o Brasil teve US$ 1,4 bilhão em projetos aprovados, a Rússia recebeu US$ 1,7 bilhão; África do Sul, R$ 1,9 bilhão; Índia, US$ 3,7 bilhões e China, US$ 3,8 billhões. Os cinco sócios se comprometeram a aportar o mesmo valor na criação do banco há cinco anos, US$ 2 bilhões cada. 

Na declaração divulgada ao final da cúpula, foi incluída a expectativa de abertura dos dois novos escritórios regionais do NDB na Rússia e na Índia. O escritório brasileiro, em São Paulo, está atrasado. O plano era celebrar a abertura durante o encontro no Brasil, o que não ocorreu. O banco tem sede central na China e abriu na África do Sul em 2017. “Enfatizamos a necessidade de esforços intensificados para a construção de um portfólio de projetos forte, equilibrado e de alta qualidade”, afirma a declaração dos cinco países.

O processo de expansão do NDB, cujos trâmites burocráticos se intensificaram nos últimos dois anos, segue sem data. Neste ano, o corpo técnico do banco elaborou lista com 20 países que poderiam ser novos sócios, mas a declaração posterga o processo sem uma previsão. No ano que vem, caberá ao Brasil presidir a instituição.

"Esperamos que o Conselho de Governadores conclua os trabalhos preparatórios com o objetivo de tomar decisões oportunas e ponderadas sobre a expansão dos membros no devido tempo", completam os líderes do Brics na declaração.

Cobrança 

A cobrança de Bolsonaro foi feita durante sessão dos líderes do Brics com representantes do conselho de empresários do Brics e do banco. “Números mostram que é preciso trabalhar juntos para superar o desequilíbrio em desfavor do Brasil na carteira de financiamentos do NDB", afirmou.  

Em seguida, o presidente lembrou que o Brasil ocupará a presidência do banco a partir de meados de 2020. "Estejam certos no empenho (do País) de indicar alguém que possa trabalhar para o banco se consolidar e cumprir a sua missão institucional", disse.

O presidente disse que o NDB é o resultado mais visível do Brics e que o banco é um aliado para o financiamento de infraestrutura. (Lorenna Rodrigues, Felipe Frazão, Camila Turtelli e Mateus Vargas)

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