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Bolsonaro reconhece 'problemas' na economia e avanço da inflação, mas diz que gás 'não está caro'

O presidente voltou a culpar os governadores pela situação, citando as medidas de isolamento social para conter a pandemia e a incidência de impostos estaduais sobre o botijão

Foto do author Eduardo Gayer
Por Eduardo Gayer , Sofia Aguiar e Matheus de Souza
Atualização:

O presidente Jair Bolsonaro reconheceu nesta quinta-feira, 19, que a economia brasileira passa por “problemas”, como o avanço da inflação, mas voltou a jogar a culpa pela situação no colo dos governadores. “Isso é consequência da política do ‘fique em casa’”, declarou a apoiadores em frente ao Palácio da Alvorada, em referência, mais uma vez, às medidas de isolamento social adotadas pelos governos estaduais para conter a pandemia, seguindo orientações de autoridades sanitárias.

O avanço nos preços do gás de cozinha - que, em algumas regiões do País, já supera os R$ 100, corroendo o poder de compra da população - também foi colocado por Bolsonaro como culpa dos governadores. “O preço do gás não está caro, está R$ 45. Eu zerei o imposto federal. Cadê os governadores para não zerar o imposto federal do gás? Aí chega a R$ 130 na ponta da linha”, disse.

O presidente Jair Bolsonaro em evento no Palácio do Planalto. Foto: Gabriela Biló/Estadão - 11/8/2021

Na verdade, como já mostrou o Estadão, do preço final do botijão, a maior parte fica com a Petrobras, que é responsável por quase a totalidade do fornecimento de gás de cozinha no País: 49%. Outros 36% ficam com as distribuidoras (que fazem a aquisição, armazenamento, envasamento, transporte, comercialização e controle de qualidade) e os pontos de revenda; e 14,5% são impostos estaduais (ICMS).

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Entre julho de 2020 e junho deste ano, de acordo com o Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Gás Liquefeito de Petróleo (Sindigás), o preço final do botijão aumentou 25%, de R$ 69,96 para R$ 87,44, em média. Embora o governo tenha zerado a incidência de impostos federais sobre o GLP neste ano, o impacto nos preços foi pequeno, em torno de R$ 2 por botijão, e parte da população mais carente voltou a apelar à lenha.

O chefe do Executivo usou o mesmo discurso para falar sobre o preço da gasolina. “Custa R$ 1,95 na refinaria, chega a R$ 6, R$ 7, na ponta”, declarou. “Vamos ver o porquê ao longo do caminho, o que fica caro.”

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