Adriano Machado/Reuters - 12/8/2020
Adriano Machado/Reuters - 12/8/2020

Ações

Empresas de Eike disparam na bolsa após fim de recuperação judicial da OSX

Bolsonaro recua e diz que teto de gastos e responsabilidade fiscal seguem como 'norte' do governo

Na quinta-feira ele havia admitido que existe no governo a ideia de descumprir o mecanismo de controle de despesas

Emilly Behnke, O Estado de S.Paulo

14 de agosto de 2020 | 12h41

BRASÍLIA - Depois de dizer que a ideia de furar o teto de gastos existe, o presidente Jair Bolsonaro recuou e voltou ao discurso de que a responsabilidade fiscal é o "norte" do governo. Na manhã desta sexta-feira, 14, o presidente usou suas redes sociais para reforçar seu compromisso com a manutenção do teto, depois de ter indicado que poderia extrapolar gastos, na noite anterior. O chefe do Executivo culpou a imprensa por noticiar a possibilidade de furo no teto de gastos.

Em transmissão ao vivo na quinta-feira, 13, Bolsonaro disse: "A ideia de furar teto (de gastos) existe, o pessoal debate, qual o problema?". Ele pediu ainda compreensão e "um pouquinho de patriotismo" do mercado financeiro no caso de superação do teto de gastos.

As declarações foram feita um dia após reunião com o ministro Paulo Guedes, da Economia, e os presidentes da Câmara e do Senado, Rodrigo Maia (DEM-RJ) e Davi Alcolumbre (DEM-AP), além de outros ministros, incluindo o do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho. Na ocasião, Bolsonaro, Maia e Alcolumbre se pronunciaram em defesa do teto de gastos

Na manhã desta sexta, contudo, o presidente responsabilizou a imprensa por "variadas e absurdas notícias" com o teor de que "o Presidente admitia que o teto poderia ser furado". Ele afirmou que "não há dúvidas de que parte da grande imprensa tradicional virou partido político de oposição ao atual governo". 

"Apenas posso lamentar essa obsessão pelo 'furo jornalístico' onde a verdade é a primeira vítima nesses órgãos de comunicação, que teimam em desinformar e semear a discórdia na sociedade", criticou.

Bolsonaro justificou que sua fala na quinta-feira estava relacionada à visão de que "por mais justa que fosse a busca de recursos por parte de ministros finalistas, a responsabilidade fiscal e o respeito Emenda Constitucional do 'Teto' seriam o nosso norte".

"Vamos trabalhar junto ao Congresso para controlar despesas com objetivo de abrir espaço para investimentos e assim atravessarmos unidos essa crise. O presidente e seus ministros, sempre focados no absoluto respeito às leis, seguem trabalhando para resgatar econômica, ética e moralmente o Brasil", complementou.

A regra do teto de gastos, prevista na Constituição, impede que as despesas cresçam em ritmo superior à inflação. Apesar disso, conforme mostrado pelo Estadão/Broadcast, o governo ensaia formas de contornar a previsão utilizando o orçamento liberado durante a pandemia do novo coronavírus para ampliar os gastos públicos, principalmente em obras.

Tudo o que sabemos sobre:
Jair Bolsonaro

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.