GABRIELA BILÓ/ ESTADAO
GABRIELA BILÓ/ ESTADAO

Bolsonaro repete que prorrogará auxílio ao inaugurar usina de deputada do Centrão

Presidente disse que benefício deve ficar com um valor menor que os R$ 600 atuais, mas superior a R$ 200

Felipe Frazão, enviado especial, O Estado de S.Paulo

29 de agosto de 2020 | 13h52

CALDAS NOVAS (GO) - O presidente Jair Bolsonaro repetiu neste sábado, dia 29, que o governo pretende prorrogar o auxílio emergencial pago a informais e desempregados até o fim deste ano, com um valor menor que os R$ 600 atuais, mas superior a R$ 200. O presidente passou a semana em reuniões com ministros, incluindo o da Economia, Paulo Guedes, para tratar do assunto e também do Renda Brasil, programa que será lançado para substituir o Bolsa Família. Segundo o Broadcast/Estadão já informou, o valor das próximas parcelas do auxílio deve ficar em torno de R$ 300.

"Ele é pouco para quem recebe e muito para quem paga. Vocês gastam por mês R$ 50 bilhões neste auxílio. Nós pretendemos, com um valor menor, que obviamente não será R$ 600, mas também não será R$ 200, prorrogá-lo até o final do ano e com isso fazer com que a economia volte à sua normalidade", disse Bolsonaro durante cerimônia pública em Caldas Novas (GO) de inauguração de uma usina solar.

A dois dias de enviar ao Congresso Nacional a proposta de Lei Orçamentária Anual de 2021, Bolsonaro disse que o governo passa por restrições orçamentárias sérias. A Esplanada vive uma disputa política interna por recursos, que, ontem, levou o Ministério do Meio Ambiente a dizer que paralisaria o combate a incêndios e desmatamento, por causa do bloqueio de verbas. Depois da declaração de Salles, o governo logo anunciou o desbloqueio.

De olho no apoio do agronegócio, Bolsonaro citou durante o evento a construção de ferrovias e disse que até o fim deste ano ou no começo do ano que vem o governo deve concluir a Ferrovia Norte Sul do Maranhão ao Porto de Santos (SP). Ele também citou obras da Fiol, da Malha Paulista e da Transnordestina. "Estamos fazendo o possível com os poucos recursos públicos que temos. O Brasil é um País que deve muito e gostaríamos de fazer muito mais, mas temos restrições orçamentárias bastante sérias", afirmou o presidente.

O presidente inaugurou uma usina de energia solar do Grupo DiRoma, de propriedade da deputada do Centrão Magda Mofatto (PL-GO), dona de um patrimônio declarado de R$ 28 milhões. Ele portava uma espécie de dossiê sobre a vida da deputada e que destacava que eles "convergiam" nas opiniões. O documento foi preparado pelo Gabinete Adjunto de Informações da Presidência. Bolsonaro destacou que ela nem sempre vota com o "politicamente correto" e, sim, de acordo com interesses do Brasil.

Ao subir ao palanque para a cerimônia, Bolsonaro tropeçou e caiu. Ele se apoiou na estrutura tubular de ferro para se reerguer. O presidente disse considerar difícil empreender no País e defendeu um "Brasil mais leve, com menos burocracia, menos regras".

A deputada agradeceu isenções de impostos que beneficiaram seu grupo, formado por uma ampla rede de hotéis e parques aquáticos, bem como um financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) concedido ainda no regime militar.

Ex-prefeita de Caldas Novas, Magda Mofatto disse que seus hotéis vão reabrir as portas a partir deste sábado e disse que só não encerrou atividades por causa de recursos liberados pelo governo Bolsonaro a empresários. Ela elogiou o auxílio emergencial de R$ 600 e pediu palmas a Bolsonaro pelo "socorro" a todo o País durante a pandemia do novo coronavírus. "Infelizmente o STF (Supremo Tribunal Federal) tirou do governo federal as decisões tomadas no enfrentamento da covid-19, mas mandou a conta", disse a parlamentar.

A deputada destacou a "simplicidade e a humildade" do presidente e disse que ele continua o mesmo dos tempos de deputado em que comiam "arroz com feijão e carne moída" na casa do hoje ministro da Cidadania, Onyx Lorenzoni (DEM). Ela criticou "governos corruptos".

Bolsonaro discursou ao lado do pátio com 16.578 placas fotovoltaicas em Caldas Novas, cidade turística conhecida por parques aquáticos e águas termais no interior de Goiás. Segundo a empresa, a usina é ligada à energia elétrica convencional, sendo capaz de abastecer 4.265 casas com consumo médio de 157 KWh. A capacidade é de produzir 5,6 milhões de Wp, em uma área de 75 mil metros quadrados. A empresa afirma que, ao longo de 1 ano, a usina poupa 48 mil árvores adultas.

O ministro de Minas e Energia, almirante Bento Albuquerque, disse que a inauguração "demonstra a capacidade do setor hoteleiro em investir em infraestrutura, gerar emprego e renda". "A usina, implantada com recursos totalmente privados, torna-se uma referência para Goiás e para o País. O Brasil é exemplo para o mundo em termos sustentabilidade na geração de energia elétrica", discursou Albuquerque.

Albuquerque também repetiu o slogan de Bolsonaro, mas cometeu uma gafe e erro a ordem das frases. Ele elogiou o governador Ronaldo Caiado (DEM), que foi vaiado seguidas vezes por populares. Aliado de Bolsonaro, ele havia se distanciado e anunciado rompimento com o presidente por divergências na condução das ações de saúde contra a covid-19, mas se reaproximou nos últimos meses. Bolsonaro já visitou o Estado oito vezes.

"O presidente Bolsonaro, depois de Juscelino Kubitschek, foi o que mais investiu no Estado de Goiás até o momento", disse Caiado, já sob aplausos, agradecendo melhorias no Aeroporto de Goiânia e a construção de em ferrovias. Ruralista histórico, Caiado destacou a atenção do presidente com o setor rural - fazendas no entorno de Caldas Novas exibem outdoors com a fotografia de Bolsonaro na porteira.

"Esse setor não faltou ao governo federal. Goiás é o terceiro maior produtor de grãos do País. Esse setor garantiu o Brasil. O senhor é o único estadista que senta em qualquer roda na ONU e que pode dizer 'eu alimento meu povo e ainda exporto para alimentar países que não têm segurança alimentar'", afirmou Caiado. Ao fim do discurso elogioso, uma popular gritou: "Perdoa ele, Bolsonaro".

Bolsonaro disse que ficou feliz com o discurso de Caiado e que ele é um governador que "dialoga" com o governo federal.

O empreendimento pertence ao grupo DiRoma, que atua nos segmentos de turismo, hotelaria (16 mil leitos) e mineração. No início da cerimônia, foi exibido um vídeo elogioso ao empreendedorismo da deputada do PL. O evento arregimentou prefeitos de municípios interior do Estado. Havia dois ônibus de turismo. A parlamentar citou o slogan de campanha do presidente: 'Brasil acima de tudo, Deus acima de todos'.

Bolsonaro ergueu no palco uma imagem de Jesus Cristo e foi ovacionado. O presidente cumprimentou populares antes dos discursos. Diversos usavam camisas da campanha dele em verde e amarelo e do partido em gestação Aliança pelo Brasil. Alguns faziam alusão à campanha de 2022. Um grupo que se dizia cristão exibia faixa que com a frase: "Falar de política para no futuro poder falar de Jesus".

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