Gabriela Biló/Estadão
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Bolsonaro sanciona lei que prevê teto de R$ 100 mil para obras sem licitação durante a pandemia

Limite anterior era de R$ 8 mil ou R$ 15 mil, dependendo do tipo de obra; lei também autoriza o pagamento antecipado a empresas que firmarem contratos com o poder público

Redação, O Estado de S.Paulo

30 de setembro de 2020 | 23h06
Atualizado 01 de outubro de 2020 | 12h06

Correções: 01/10/2020 | 12h06

BRASÍLIA - O presidente Jair Bolsonaro sancionou, nesta quarta-feira, 30, a lei que estabelece teto de R$ 100 mil para obras executadas pelo poder público sem licitação durante a pandemia do novo coronavírus. O limite anterior à MP era de R$ 17,6 mil ou R$ 33 mil, conforme o tipo de obra.

Essas regras já estão em vigor desde maio, quando foram editadas pelo governo em uma medida provisória. Com a aprovação no Congresso e a sanção presidencial, o novo limite fica consolidado durante a pandemia e não corre risco de perder validade.

A sanção foi anunciada pelo Palácio do Planalto e a lei deve ser publicada no "Diário Oficial da União" desta quinta, 1º. O material divulgado pelo governo não cita vetos presidenciais ao texto.

A lei, assim como a medida provisória inicial, também autoriza o pagamento antecipado a empresas que firmarem contratos com o poder público, desde que o adiantamento seja "condição indispensável" para garantir a compra ou serviço ou para gerar economia de recursos. No entanto, ela proíbe o adiantamento de valores se houver "dedicação exclusiva de mão de obra", como acontece com a terceirização de serviços.

As mudanças valem somente durante a vigência do decreto de calamidade pública, portanto, até 31 de dezembro deste ano. Atualmente, a lei dispensa licitação e autoriza a modalidade de convite para alguns tipos de contrato. São casos em que os custos do edital de licitação não compensam, na comparação com o valor do contrato em si.

Essa modalidade de convite tem um processo simplificado. A administração pública escolhe pelo menos três interessados e envia uma "carta-convite" para que as empresas apresentem, dentro de cinco dias, as propostas.

Não é necessária a divulgação oficial do edital por órgão público ou via meios de comunicação. A lei para anos "convencionais" prevê essa modalidade para: obras e serviços de engenharia: até R$ 15 mil; compras: até R$ 8 mil.  A MP, agora convertida em lei, permite a seleção por convite para contratar sem licitação:  obras e serviços de engenharia: até R$ 100 mil; compras: até R$ 50 mil. O teto é estabelecido para o valor global do contrato, de uma única compra.

O edital deve prever a antecipação do dinheiro e deixar claro que os recursos serão devolvidos à administração pública, corrigidos pela inflação, se o serviço não for feito.

Para evitar o descumprimento do contrato, o texto prevê que o adiantamento deve ser feito mediante: comprovação da execução de parte da obra, antes do pagamento do valor total do contrato; garantia como fiança ou seguro de até 30% do valor da obra; emissão de título de crédito; acompanhamento do transporte da mercadoria comprada; exigência de certificação do produto.

Outros pontos 

A MP permite que o contrato seja firmado, obedecendo as novas regras, de março a 31 de dezembro, "independentemente do seu prazo ou do prazo de suas prorrogações".

O texto também libera para qualquer obra ou compra a aplicação do Regime Diferenciado de Contratações Públicas (RDC), criado para situações específicas como Copa do Mundo e Olimpíada, e que serve também para ações do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e obras e serviços de engenharia do Sistema Único de Saúde (SUS).

Na votação da Câmara, os deputados acrescentaram pontos ao texto original da MP, mantidos pela senadora Soraya Thronicke (PSL-MS), relatora no Senado: inclusão, entre os beneficiados pela medida, de escolas comunitárias e filantrópicas; organizações sociais; organizações da sociedade civil; e pontos de cultura; os termos dos contratos estabelecidos conforme as normas da MP deverão ser publicados em site oficial; altera lei deste ano que também permite a dispensa de licitação para contratação de serviços e aquisição de insumos destinados ao enfrentamento da pandemia. 

De acordo com a MP, se a compra for realizada por mais um órgão público, poderá ser usado o Sistema de Registro de Preços (SRP), nas modalidades de licitação de pregão e concorrência. O sistema serve como parâmetro para os funcionários públicos. É realizada uma "ampla pesquisa de mercado" e os preços mais vantajosos são publicados em veículo de imprensa oficial do governo para orientar os administradores regionais.

Correções
01/10/2020 | 12h06

O limite anterior para a contratação de obras sem licitação era de R$ 17,6 mil ou R$ 33 mil, conforme o tipo de obra, e não de R$ 8 mil ou R$ 15 mil, como publicado anteriormente.

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