Adriano Machado/ Reuters
Adriano Machado/ Reuters

Bolsonaro volta a defender isenção de pedágio para motos, que pode elevar tarifa de outros veículos

Em conversa com apoiadores na saída do Palácio da Alvorada, o presidente disse que pediu ao ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, que veja se é possível acabar com a cobrança de motociclistas nas novas concessões de rodovias

Emilly Behnke, O Estado de S.Paulo

08 de setembro de 2020 | 10h43

BRASÍLIA -  O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta terça-feira, 8, ter pedido ao ministro Tarcísio de Freitas, da Infraestrutura, para analisar a isenção de pedágio para motociclistas nos novos contratos de concessão de rodovias. A medida, que deve encarecer a tarifa cobrada de carros e caminhões, foi defendida pelo presidente em conversa com apoiadores na saída do Palácio da Alvorada.

"Nós somos 7,5 milhões de motoboys, menos de 1,5 milhão contribui porque ninguém sabe para onde vai nosso recurso”, afirmou o apoiador ao presidente.  “O que eu orientei o Tarcísio, nas novas concessões vê se é possível moto não pagar pedágio”, respondeu Bolsonaro.

Em julho, Bolsonaro já havia anunciado a intenção de zerar pedágio para motocicletas também em conversa com apoiadores. Na ocasião, ele havia feito um passeio de moto após testar negativo para o novo coronavírus e pôr fim ao isolamento de 15 dias que cumpriu. 

"Já falei com o Tarcísio para em novos contratos isentarem motociclistas", afirmou no dia 25 de julho.  

Como o Broadcast/Estadão mostrou, contudo, para bancar essa isenção para os motociclistas, o pedágio subiria em média 5% para outros motoristas, de acordo com cálculos da Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR).

Para a entidade, a mudança seria um "retrocesso". O diretor superintendente da ABCR, Flávio Freitas, lembrou que as primeiras concessões não previam o pagamento de pedágio por motos, mas que a regra mudou justamente para desonerar os demais motoristas.

Na ocasião, o presidente da Confederação Nacional do Transporte (CNT), Vander Costa, disse, em nota, que a entidade não apoia nenhum tipo de gratuidade, justamente por acreditar que tal medida fará com que os outros usuários paguem mais caro pela tarifa. "Lutamos, sim, pelo fim dos privilégios, e não para ter mais um grupo de privilegiados", disse Costa. "Respeitamos a opinião do presidente Bolsonaro, mas pensamos diferente."  

Renda Brasil

Nesta terça-feira, o apoiador que questionou Bolsonaro sobre a situação dos motociclistas ressaltou ainda que "muitos querem contribuir" e que "a solução do Renda Brasil está lá”, em referência a uma possibilidade de financiamento do programa ainda em estudo que deve substituir o Bolsa Família. “Renda Brasil? Sabe quanto custa?”, indagou o presidente. Bolsonaro, contudo, não comentou mais sobre o tema.

O programa, que ainda está sendo desenhado pelo governo, ainda não tem uma fonte de financiamento definida. O anúncio do benefício foi suspenso por Bolsonaro após discordar das alternativas apresentadas pela equipe econômica, entre elas o fim do programa de abono salarial. 

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