REUTERS/Adriano Machado
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Bolsonaro volta a reclamar de juros altos, mas diz que 'apenas dá sugestões'

'A taxa de juros, levando-se em conta a taxa Selic, está um pouquinho longe, defasada', disse o presidente em evento com chefe da Caixa; na segunda-feira, Bolsonaro havia comentado sobre os juros do Banco do Brasil

Felipe Frazão e Lorenna Rodrigues, O Estado de S.Paulo

30 de abril de 2019 | 17h45
Atualizado 30 de abril de 2019 | 18h25

BRASÍLIA - O presidente Jair Bolsonaro disse nesta terça-feira, 30, considerar que não interfere nos bancos públicos, apenas dá sugestões que podem ou não ser cumpridas. "Eu não tenho o poder de interferir em muita coisa e nem quero. Apenas dou sugestões. E sugestões são como conselho, cada um cumpre se achar que deve cumprir", disse o presidente.

"Ontem (segunda-feira, 29), lá na Agrishow, eu apelei para o presidente do Banco do Brasil, para seu espírito patriótico, conservador, cristão, que atenda os ruralistas no tocante à taxa de juros. Faltou complementar, e sem a complementação fui massacrado por grande parte da mídia. Não posso esquecer nada, tenho que ser mais do que perfeito, tenho que ser sublime, senão tudo dá errado", declarou, durante evento de assinatura da Medida Provisória da Liberdade Econômica, no Palácio do Planalto.

Bolsonaro voltou a afirmar que as taxas de juros praticadas por bancos públicos são muito altas. Dirigindo-se desta vez ao presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, o chefe do Executivo afirmou que ele deveria concordar que aplicar no mercado seria menos arriscado.

"A taxa de juros, levando-se em conta a taxa Selic, está um pouquinho longe, está um pouquinho defasada", afirmou Bolsonaro. "Acho que o Pedro Guimarães concorda. Se o juros está um pouquinho alto, você não vai pegar na Caixa, nem em banco nenhum, vai aplicar no mercado, comprar um papel, até porque a chance de dar errado e perder dinheiro é infinitamente menor do que do aplicar no campo. Afinal de contas, o campo tem variáveis muito mais imperfeitas ou menos sujeitas a variações do que o banco. Tem a temperatura, tem São Pedro", acrescentou.

Na segunda-feira, 29, Jair Bolsonaro pediu a redução dos juros do Banco do Brasil para o fomento ao crédito rural. As ações do BB na Bolsa caíram quase 1,5% logo após o comentário do presidente. Os papéis, porém, fecharam o dia estáveis.

Nesta terça-feira, o presidente também fez uma piada com o ministro da Economia, Paulo Guedes, a quem apelidou de Posto Ipiranga. "Quisera nós termos um posto Ipiranga à tua disposição, até porque o preço da gasolina é você que ia colocar nele", disse Bolsonaro, que chegou a barrar um reajuste no combustível promovido pela Petrobrás.

Desemprego

Citando tema que deve abordar no pronunciamento em cadeia nacional de TV por ocasião do Dia do Trabalho, na quarta-feira, Bolsonaro questionou novamente dados de desemprego do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e falou sobre a preparação para garantia de empregos na quarta revolução industrial.

"Se fala em 12 milhões de desempregados. Sim, eu acho que é muito mais do que isso. Desculpa o IBGE, mas é muito mais do que isso. E não vou polemizar novamente", afirmou o presidente. "Estamos na quarta revolução industrial, com inteligência artificial. Como está a formação do homem e da mulher do futuro? O que escolas técnicas e faculdades têm feito para que realmente nós possamos ter mercado de trabalho para essa quantidade enorme de pessoas que temos no Brasil?".

Bolsonaro elogiou a Medida Provisória da Liberdade Econômica e disse ter dado liberdade para a Casa Civil e a equipe econômica trabalharem. Segundo ele, a MP vai ajudar empreendedores no Brasil. O presidente disse acreditar que tem mais do que a maioria na Câmara e no Senado de apoio de parlamentares "com espírito patriótico para salvar o Brasil".

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