Bom desempenho das exportações pode ser uma "bolha"

O bom desempenho das exportações brasileiras este ano "é uma bolha", afirmou o presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), Benedicto Fonseca Moreira, no seminário "Internacionalização de empresas", promovido pela Coppead-UFRJ.De acordo com ele, as exportações brasileiras continuam muito concentradas em determinados produtos, empresas e também destinos. Ele lembrou que parte significativa das exportações brasileiras é de commodities (produtos com preço definido no mercado internacional, independentemente do país de onde sai). "Agora os preços estão altos por causa da demanda da China", disse.Para ele, "o Brasil tem condições de crescer quase igual à China. Não cresce por causa de políticas errôneas". Criticando a política monetária, afirmou que "parece que o governo brasileiro odeia a demanda".Criticas aos políticosClaramente irritado com políticos, Moreira disse que a burocracia no Brasil é terrível e que "no Brasil se cria órgãos para dar emprego a deputados". Ele defendeu a proibição de que deputados e senadores eleitos ocupem cargo no Executivo.Também disse que os portos brasileiros, por onde saem 94% das exportações, "são uma calamidade pública" e culpou os políticos. "Porto não é lugar para político e todos os portos no Brasil são dirigidos por políticos", afirmou.Para Moreira, há "barreiras internas" às exportações, que considera "incompatíveis com a opção que o Brasil fez corretamente pela inserção internacional", como mais de cem gravames às exportações entre impostos, taxas e contribuições.Comércio com países da América LatinaEle defendeu a interligação física dos países da América do Sul para permitir o aumento do comércio na região em que, afirmou, a participação do Brasil "é ridícula", já que representa 10% das importações dos demais países do continente. "Querer fazer integração só na base da política é uma bobagem", disse, defendendo criação de infra-estrutura de transporte.Também afirmou que "o Brasil está atrasado e tem pouquíssimos acordos bilaterais porque está amarrado ao Mercosul que é um grande cadáver que o Brasil carrega". Ele citou que a Organização Mundial do Comércio prevê o fechamento de 300 acordos bilaterais no mundo este ano. "O México tem 50 acordos bilaterais", citou.

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