'Bom profissional deve ter bagagem cultural'

"Formamos tradutores para textos escritos seja para jornal, empresas ou editoras", diz o coordenador de Letras da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Reynaldo Pagura, a respeito do curso de bacharelado em Tradução Inglês - Português.

EDILAINE FELIX, O Estado de S.Paulo

09 de fevereiro de 2014 | 02h11

Segundo ele, o curso tem a função de preparar o profissional para atuar tanto como freelancer quanto em empresas, com traduções técnicas. "Para começar o curso, é bom que o aluno tenha conhecimento do inglês", diz o coordenador. Mas ele poderá aprofundar seu conhecimento frequentando mais disciplinas de inglês.

O curso requer estágio obrigatório e, segundo o coordenador, a maioria dos alunos estará empregada antes do término do programa. Ele conta que a tendência é o aluno se especializar em uma área: jurídica, médica ou econômica. "E para ser um bom profissional, também deverá ter bagagem cultural e interesse em aprender", diz.

Aluna do 5º semestre, a polonesa Karolina Wachowicz Orlandi(foto), de 27 anos, decidiu fazer o curso com o objetivo de aprimorar a língua inglesa e portuguesa. Ela é estagiária, desde janeiro de 2013, em uma consultoria de finanças.

"Estou aprendendo muito. Precisa de atenção, além de trabalhar sob pressão", diz. No dia a dia, ela é mais solicitada a fazer versões para o inglês, mas sempre gosta de fazer traduções para o português, quando elas surgem, "para treinar o idioma".

Pensando no futuro, Karolina conta que quer ser efetivada e ter a possibilidade de tentar outras áreas como comunicação e marketing. "Acho que traduzir é um desafio, tenho de buscar a informação e ainda defender as minhas escolhas linguísticas (o por quê do uso de uma palavra)", diz.

Pós-graduação. A Universidade de São Paulo tem, desde agosto de 2012, um programa de pós-graduação stricto sensu em Tradução, ligado ao departamento de Letras Modernas. Segundo o coordenador, John Milton, é um curso altamente acadêmico, treinando pesquisadores em estudos da tradução. "Não formamos tradutores. Formamos pesquisadores, que, em muitos casos, vão ocupar postos como professores em outras universidades."

O curso tem duração de até 36 meses para o mestrado e, para o doutorado, até 48 meses. Segundo Milton, o aluno que procura o curso deve ter perfil acadêmico. "Precisa estar preparado para passar muito tempo pesquisando, ter paciência, habilidade de tratar com muito material e ter um ótimo sentido crítico."

A aluna de doutorado do curso de Tradução da USP, Zsuzsanna Spiyry, de 64 anos, depois de mais de 20 anos trabalhando no mercado financeiro, se aposentou e encontrou na tradução uma nova paixão. "Eu sou húngara, comecei dando aulas de inglês e depois fui procurar estudar. Fiz especialização, mestrado e já estou no doutorado. Fiquei encantada com as possibilidades da língua."

Orientanda do coordenador John Milton, Zsuzanna estuda a teoria da tradução e ainda dá aulas de inglês. "Eu já traduzi mais ou menos seis livros. Hoje, não pego mais trabalho, porque não tenho tempo, mas sei que o grande mercado para os tradutores é o editorial", diz.

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