Bom Retiro: aproveite as ofertas

Por mais que os confeccionistas do Bom Retiro não aprovem as vendas avulsas e queiram firmar a imagem do bairro como pólo produtor de moda, a clientela do varejo é uma realidade, a despeito de todas as dificuldades existentes para a compra. Lá não é possível experimentar as roupas, não há sanitários e a moeda mais aceita é o dinheiro vivo. Só que preço baixo, agregado a uma melhora na qualidade dos produtos, compensa a falta de infra-estrutura.Comprar varejo em um reduto atacadista exige, além de disposição para andar e pesquisar, um olho clínico, para saber se aquela ofertinha tentadora não esconde uma coleção de segunda linha. A Rua José Paulino, de ponta a ponta, é tomada por confecções de moda feminina. Agora, por exemplo, estão chegando às vitrinas as peças do inverno, o que significa que é uma boa época para comprar os saldos de verão. Como é começo de temporada, as roupas para o frio ainda estão muito caras para os padrões Bom Retiro.Na Rua da Graça, reduto de confecções de roupas de linha, há promoções de verão atrativas. Na Naturalitá, qualquer peça da estação passada sai por R$ 14,99. Já os tricôs básicos variam de R$ 23 a R$ 28 e as blusas mais pesadas, já para o frio, valem R$ 40. Na Doce Fio, as peças do verão têm preços entre R$ 10 e R$ 20. A Sol e Cor tem só a coleção de frio e as malhas vão de R$ 46 a R$ 61. A Mix Trix, da Rua Ribeiro de Lima, vende um mínimo de três peças e cobra R$ 20 por calças e R$ 25, em média, pelos pulôveres.Já na Voice, que fica na Rua José Paulino, há enormes araras repletas de ofertas de verão, como vestidos a R$ 10. Para quem gosta de roupa de surf, a dica é a Waveshore, onde os conjuntos esportivos sem forro valem R$ 45, as jaquetas R$ 52 e os shorts com motivos florais saem por R$ 30. Na Hyppo, os agasalhos esportivos também custam R$ 45 e as camisas pólo masculinas valem R$ 15.Para garantir o estoque de biquínis, um bom endereço é a loja Foca Loca, onde as peças são vendidas avulsas e a cliente monta o biquíni como desejar, parte de cima P e de baixo G, por exemplo. Cada peça varia de R$ 11 a R$ 17. Na Yn Foco, os biquínis vão de R$ 20 a R$ 30.Para rapazes, além da loja Tropical, do sr. Mário Próspero, há a camisaria Fascynios, onde as camisas têm preços a partir de R$ 15. Na Umen, os moços encontram mix completo de produtos, de cuecas a gravatas, de meias a camisas. Na Rua dos Italianos, há dois bons endereços: a Main Street e a Marconello, onde há pólos de malha em promoção, por R$ 15.Lingerie é outro tipo de artigo bom de comprar no Bom Retiro. No número 321 da Rua Prates, há uma fábrica onde as cuecas custam R$ 2,50 cada uma, e os conjuntos de calcinha e sutiã com alça de silicone com gliter custam R$ 10,50. Na MD, loja exclusiva Valisére, é possível comprar 12 peças no preço de atacado ou seis peças com 20% de desconto. Lá, há calcinhas a partir de R$ 6,90. Até sapatos dá para comprar no bairro. Na Rua Três Rios, há a loja Célia Milani, uma ponta de estoque em que as sandálias de verão estão em oferta: R$ 9,90 qualquer par. Na Tutti Stock, os preços variam de R$ 40 a R$ 50. Na Mônica Sanches, que abre para varejo aos sábados, a coleção de inverno já chegou e há botas de R$ 69,90 a R$ 99,90. Para comprar bolsas bonitas e baratas, o ideal é ir à loja Bloum´s, o box de número 17 da galeria que fica na Rua José Paulino, 345.Bom Retiro fashionO bairro do Bom Retiro deverá abandonar a imagem de centro popular de compras para se tornar em uma área sofisticada de comércio de moda. "Só no primeiro bimestre deste ano, 60 lojas foram reformadas, 40 só em fevereiro", informa Shlomo Shoel, presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) do Bom Retiro e dono da confecção Shoel.A nova estética pretende conquistar definitivamente os grandes clientes do atacado de moda do País e da América Latina. "Estamos formando uma elite produtora de moda", acredita André Kim, vice-presidente da CDL. A ocupação comercial do bairro está no limite. Não há prédios nem lojas para alugar ou vender e, se tivesse, os interessados precisariam ter muito dinheiro. O preço de um ponto comercial na região é semelhante ao custo de uma loja fina em um shopping como o Iguatemi.Shoel também aposta que o refinamento do bairro acabará obrigando as grandes marcas do setor a abrirem filiais por lá. "Aposto que, em no máximo cinco anos, os grandes nomes da moda virão para cá, nem que seja para abrir pontas-de-estoque

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