Bom Retiro terá cara nova a partir de abril

O Bom Retiro, pólo atacadista de confecções de São Paulo, passará por uma transformação a partir de abril. Nesse mês, terão início as obras do Bom Retiro Boulevard, projeto da Câmara dos Dirigentes Lojistas do Bom Retiro (CDL), em parceria com o Sebrae e a Prefeitura de São Paulo. Os planos vão desde a reforma de calçadas e arborização de ruas, até obras de infra-estrutura para as cerca de 50 mil pessoas que visitam diariamente o bairro para fazer compras.Segundo o presidente da CDL, Shlomo Shoel, um dos principais objetivos do projeto é melhorar o aspecto da região e atrair um número cada vez maior de consumidores. "Queremos transformar o Bom Retiro em um centro atrativo e aumentar o turismo de compra. O principal objetivo é criar um ambiente que cheire moda".Ele comenta que o tempo estimado para o término do projeto é de cinco a seis anos. "Muitas reformas precisam ser feitas. Por isso, nada será muito rápido".Outro ponto que Shlomo cita do projeto é a construção de passarelas de pedestres ligando a Rua José Paulino ao estacionamento da estação ferroviária Júlio Prestes, bancos de praça para descanso dos compradores e banheiros com opção de banho para visitantes de fora de São Paulo.Ainda estão previstos uma nova rede de drenagem de água da chuva, o fim da poluição visual, a retirada das ligações irregulares e superposição de fios, substituição de postes e das lâmpadas atuais por outras mais eficientes e econômicas.Os pontos de ônibus também serão adequados e com cobertura, sendo que ficarão localizados fora do centro comercial, para que o trânsito flua melhor. Esses são os principais problemas que o Bom Retiro quer corrigir para atender com mais qualidade a clientela de todo o Brasil que o bairro recebe todos os dias. "Quando nos propomos a melhorar um bairro, estamos batalhando para tornar melhor a nossa cidade", afirma Shlomo.Ampliar receita das lojasA longo prazo, o projeto pode ampliar também a receita dos lojistas. Estima-se que elas movimentam cerca de R$ 1,8 bilhão por ano. O comércio local, espalhado por 18 ruas, já vinha sendo incrementado por pelo menos 600 lojas, que investiram em vitrines caprichadas, ar-condicionado e layout mais modernos no interior dos pontos-de-venda, com investimento médio de R$ 100 mil cada uma. Atualmente, 40 lojas estão passando por reforma.Embora o projeto conte com apoio da Prefeitura e do Sebrae, os recursos aplicados também serão dos próprios lojistas. O Sebrae vai oferecer linhas de crédito com juros mais baixos para aqueles interessados na modernização das fachadas das lojas.De acordo com os consultores urbanos Cleiton Honório de Paula e Murillo Oliveira, do escritório N Arquitetura, contratado para trabalhar no projeto, as concessionárias públicas são contatadas para elaborar estratégias. A Eletropaulo, por exemplo, está apoiando os lojistas que solicitaram cuidados com a extensão de cabos. De acordo com Cleiton de Paula, a companhia está trabalhando em três ruas do bairro para que a fiação elétrica seja subterrânea.A Sabesp também está sendo contatada para o trabalho nos pontos específicos de alagamento, onde os sistemas de drenagem das chuvas devem ser renovados.Oliveira explica que o trabalho está ganhando apoio exatamente pela articulação entre a iniciativa privada e as empresas de serviços públicos, além da prefeitura e do Estado. "Não se trata apenas da revitalização, mas da recolocação urbana do bairro", diz ele. Segundo Cleiton de Paula, revitalizar o local não é somente uma missão estética e cultural, mas que reforça a vocação comercial do Bom Retiro.O presidente da CDL diz que a intenção daqui em diante é atrair grifes como Fórum, Zoomp e Ellus para que se instalem na região e assim venderem também no atacado. "Queremos nos tornar um circuito fashion".

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