Bombril fecha capital

A Bombril anunciou ontem oficialmente o fechamento de seu capital. Com a decisão, a empresa estendeu a todos os minoritários o acordo fechado em julho deste ano, em que se comprometeu a recomprar as participações da Previ, BNDESpar e Dynamo na companhia, ao preço de R$ 19,50 por lote de mil ações. A operação, aprovada pelo conselho de administração, faz parte da estratégia do grupo de solucionar antigas pendências com acionistas minoritários, que vinham prejudicando a imagem da companhia no Brasil. A atitude levantou no mercado financeiro suspeitas de que a holding Cirio quer agora vender parte do controle da Bombril - rumores negados pela diretoria da empresa. Nos últimos meses a companhia se esforçou para limpar seu nome no mercado. Além de ter fechado o acordo com a Previ, BNDESpar e Dynamo para recomprar suas ações, apresentou um termo de compromisso à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para tentar interromper um inquérito administrativo aberto no ano passado. O fechamento de capital da Bombril já era esperado pelos investidores. Fontes na Previ lembram que o fundo já estava interessado em vender sua participação na empresa há muito tempo, desde que ocorreram as primeiras polêmicas envolvendo a venda de uma subsidiária da empresa ao grupo controlador. Problemas da Cirio vem desde 1997 Os problemas da Cirio com os minoritários começaram em julho de 1997, quando a Bombril adquiriu o controle da Cirio SPA, uma subsidiária do grupo Cirio, com recursos oriundos de um aumento de capital. Em dezembro de 1998, a empresa vendeu a Cirio de volta para o controlador, pelo mesmo valor, mas com a facilidade de o pagamento ser feito em três parcelas, mais um saldo a ser pago no prazo de cinco anos. Acionistas minoritários alegam que a operação caracterizaria um empréstimo ao controlador, o que seria ilegal. O artigo 117 da Lei das Sociedades Anônimas considera abuso de poder a utilização de recursos da empresa em benefício do controlador. As dificuldades do controlador da empresa, o italiano Sérgio Cragnotti, com os órgãos reguladores não se restringem ao Brasil. Em maio deste ano, o empresário foi multado pelo mercado de capitais do Canadá em US$ 2 milhões. A Comissão de Títulos Mobiliários de Ontário acusou Cragnotti de operações irregulares com ações da companhia de embalagens Lawson Mardon, controlada por uma subsidiária da holding Cragnotti & Parterns, e por dar declarações enganosas sobre o assunto. Devido ao anúncio de fechamento de capital, os negócios com as ações da Bombril foram suspensos ontem na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). O último negócio com os papéis foi fechado ao preço de R$ 17,00 por lote de mil ações.

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