Bono defende quebra de patentes de remédios

O cantor irlandês Bono, vocalista do banda U2 e defensor do cancelamento da dívida de países pobres, elogiou o programa de combate à Aids do Brasil e criticou o Congresso norte-americano e as companhias farmacêuticas internacionais na questão da quebra de direitos de propriedade intelectual dos medicamentos utilizados no tratamento da Aids."Cerca de 20 milhões de vidas foram perdidas devido à Aids nos últimos anos e países como o Brasil, que tem sido bastante progressista na luta contra a Aids, têm ouvido que o direito de propriedade intelectual é um princípio básico na maneira que os Estados Unidos e Europa fazem negócios e que é melhor o Brasil não ferir esse princípio senão a casa cai. Isso não faz sentido. É uma tolice", disse Bono ao responder à pergunta da Agência Estado, durante a entrevista coletiva que deu juntamente com o presidente da Microsoft, Bill Gates, após palestra no Fórum Econômico Mundial, em Nova York.Para Bono, as 20 milhões de vidas perdidas para a Aids poderiam ter tido o sofrimento atenuado se a disputa da quebra das patentes tivesse sido resolvida. "Bastou três casos de Antraz para que o assunto do direito de propriedade intelectual fosse para o Congresso e os americanos estivessem prontos para derrubá-lo", criticou Bono, na entrevista coletiva mais concorrida de hoje no Fórum.O cantor lembrou que estava em Uganda e testemunhou que as pessoas não podiam nem pagar US$ 1 por dia para comprar os remédios genéricos para combate à Aids. "E os remédios custavam US$ 10 há algum tempo", disse. Ele defendeu o lucro das companhias farmacêuticas e disse que os esforços de pesquisa dessas companhias também devem ser recompensados. "Não podemos nos limitar a imagem fácil de bandidos e mocinhos. Precisamos nos unir", disse.Bill GatesJá o presidente da Microsoft, Bill Gates, afirmou que a questão do combate à Aids não deve se limitar aos debates de preços e quebra de direitos de propriedade intelectual. "As grandes companhias farmacêuticas são elementos-chave na equação de eliminar essa doença", afirmou, também em resposta à AE.Ele disse que as companhias farmacêuticas progrediram bastante, nos últimos anos, em relação às suas políticas de preços e de doações no tocante a doenças que afligem o mundo. "Essas empresas estão mais flexíveis e são parte da comunidade", afirmou. Gates ressaltou que, no combate e tratamento de doenças como Aids e malária, os esforços precisam englobar infra-estrutura e não somente distribuição de remédios."As drogas que tratam turbeculose custam cerca de US$ 20 e, no entanto, cerca de 1,5 milhão de pessoas ainda morrem com a doença. Então, há mais do que o preço das drogas na solução do problema da Aids", comentou Gates.O dono da Microsoft anunciou, durante o Fórum, que sua fundação (Gates&Melinda Fundantion) fará uma doação de US$ 50 milhões para projetos de prevenção de doenças.

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