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Bons hábitos começam na infância

Filhos devem ser estimulados a buscar suas próprias fontes de renda em pequenos trabalhos, como ser responsável pela reciclagem

Fábio Gallo, O Estado de S. Paulo

06 de setembro de 2021 | 05h00

A pandemia provocou diversas mudanças no nosso dia a dia, muita gente tendo de trabalhar em home office, reuniões no zoom, novos pets – que cismam em passar na frente da tela bem no meio da reunião. Outra grande parcela da população lutando contra o desemprego e tentando manter comida na mesa. A situação fez com que as famílias passassem a conviver mais tempo dentro de casa. Cuidar dos filhos, especialmente os menores, passou a ser uma tarefa de tempo integral. Fazendo com que eles estudassem a distância, em muitos casos com enormes dificuldades.

Mas, nesse tempo, os pais deveriam ter aproveitado para educar as crianças sobre como lidar com o dinheiro. A educação financeira, essencialmente, começa dentro de casa, e as escolas devem reforçar essa formação. Os hábitos financeiros dos filhos são aprendidos com os pais, mesmo que eles não percebam. Assim, dar bons exemplos e encontrar maneiras de envolvê-los na vida financeira da família é essencial. 

Todos nós vivemos com limitação financeira definida pelos ganhos, particularmente na situação atual. Por que não colocar os filhos nessa mesma realidade? Um objetivo muito importante é levá-los a aprender a viver com os próprios recursos. Uma primeira lição é entender a diferença entre “querer” e “precisar”. Todos nós gostaríamos de ter muitas coisas e gastar com o que quisermos, mas as necessidades devem vir em primeiro lugar. Deve ser passado o conceito de que, quando o dinheiro não dá para tudo, é preciso saber escolher.

Uma das maneiras objetivas de ensinar os seus filhos a lidar com o dinheiro é estabelecer uma mesada. O valor da mesada é sempre um ponto de dúvida para as famílias. Não há uma regra preestabelecida, a decisão deve levar em conta diversos fatores. O círculo de amizades é um deles. Os filhos não devem ser nem os “milionários” nem os “mendigos” da turma. Procure se informar sobre os hábitos financeiros dos amigos dos seus filhos para que eles não se sintam deslocados no grupo. 

Outro aspecto importante é o total de gastos com lanches, passeios e hobbies. Pais e filhos devem chegar a um acordo sobre o que deve ser por conta da mesada e o que fica de fora. Uma vez definido o valor da mesada, os pais não devem dar dinheiro extra para os filhos, fato que cria maus hábitos. Trabalhos de casa, como arrumar a própria cama, são obrigações como integrante da família, e não devem ser objeto de remuneração. As crianças também não devem ser premiadas por bom desempenho na escola, pois precisam entender que esta é uma obrigação delas e que, quando se destacam, estão se preparando para um futuro melhor.

Os filhos devem ser estimulados a buscar suas próprias fontes de renda. Nada que interfira nos estudos, mas pequenos trabalhos, como ser o responsável pela reciclagem. Discuta com seus filhos as opções que eles têm quando ganham dinheiro, sobre como gastar, poupar e doar. É muito importante dar o sentido ético da relação com o dinheiro e com a sociedade como um todo.

*PROFESSOR DE FINANÇAS DA FGV-SP

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