Bônus da dívida da OGX chegam a 16% do valor de face

Em conferências com advogados, credores da empresa se mostram cada vez mais preocupados

CYNTHIA DECLOEDT, O Estado de S.Paulo

12 de julho de 2013 | 02h04

Os bônus de dívida da OGX aceleraram suas perdas nos últimos dias, na esteira das várias conferências que estão sendo realizadas por escritórios de advocacia e consultorias à pedido de credores. O bônus com vencimento em 2018 da OGX, que é o mais líquido, perdeu 38% do nível de segunda-feira até ontem, quando atingiu a mínima histórica de 16% do valor de face, disse uma fonte que opera em uma das maiores corretoras de títulos de dívida internacionais.

"As conferências estão alterando a percepção dos credores para pior, e vários investidores que ainda não haviam conferido todos os detalhes sobre o caso não estão gostando do que estão ouvindo dos advogados", acrescentou a fonte. Segundo ele, "a percepção sobre o quanto poderão recuperar em caso de calote ou reestruturação diminuiu ainda mais".

Outra fonte disse que alguns investidores temem que a recuperação do investimento seja zero, tendo em vista a rápida deterioração das empresas. Ele acrescentou que a OGX usou uma estrutura de capital errada para uma empresa do setor de petróleo em fase pré-operacional. "Na ocasião, enquanto as ações subiam, a emissão de bônus pareceu possível, mas isso não é uma estrutura normal para companhias desse setor, tanto que agora, com a forte depreciação das ações, essa dívida tornou-se desproporcional."

Falência. Uma grande preocupação dos credores, de acordo com um operador da mesa de bônus que ouviu uma das conferências, é quanto à nova lei de falência brasileira e sobre como um eventual processo de falência ou de recuperação judicial seria conduzido. "As empresas X são um caso atípico e complicado, com o agravante de não haver transparência, ninguém sabe corretamente qual é a situação das empresas, quais são os outros empréstimos tomados, quais são as garantias."

Ele observou ainda que, ao contrário de outras situações, como do banco Cruzeiro do Sul, em que houve um momento em que os bônus encontraram um nível de estabilidade, agora a dispersão de preços é grande. "Estou vendo investidores inteligentes comprando e vendendo, enquanto que em um comportamento clássico, a esse ponto, o normal é ver investidores inteligentes comprando e os menos informados vendendo."

Desde a terça-feira, pelo menos cinco conferências com credores foram realizadas. Ontem, a Bingham McCutchen, especializada em casos de reestruturação de dívida, insolvência e litígios corporativos, promoveu uma segunda conversa com credores, depois de realizar a primeira na terça-feira.

A Cleary Gottlieb Steen & Hamilton LLP também promoveu conferência com credores ontem, da qual participaram a consultoria FTI Consulting e a firma brasileira de advocacia Pinheiro Neto. O escritório Mattos Filho conversou com credores anteontem e a corretora Nomura, na terça-feira.

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