Bônus do Maranhão derrubam papéis públicos

Os bônus de dívida de emissores quase soberanos, como Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Caixa Econômica Federal e até o Banco do Brasil, caíram nesta quarta-feira, 24, em parte, influenciados pelo anúncio da emissão de papéis de 10 anos pelo Estado do Maranhão, que têm garantia do governo federal. A emissão de dívida estadual com garantia do Tesouro brasileiro é a segunda já realizada e deve ser seguida por várias outras, de acordo com fontes ouvidas pelo Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado. As mesmas fontes dizem que o Tesouro não tem gostado dessas operações, porque, potencialmente, "sujam" a curva de rendimento do governo.

CYNTHIA DECLOEDT, Agencia Estado

25 de julho de 2013 | 10h01

"Esses papéis são estruturados, têm características mais complexas do que os bônus normais, e por isso oferecem rendimento mais alto. Se muitas dessas operações ocorrerem, esses prêmios mais elevados podem distorcer a curva brasileira e dificultar o trabalho do governo de reduzir o custo da tomada de recursos no exterior", explicou um profissional.

Nesta quarta-feira, o anúncio da emissão do Estado do Maranhão trouxe venda de ativos de qualidade quase soberanos, como os papéis do BNDES e Caixa. "Os investidores estão se desfazendo desses papéis para comprar os novos bônus, que oferecem melhor remuneração e têm garantia da União", disse o profissional de uma grande corretora de títulos de dívida americana.

Segundo ele, os bônus do BNDES ofereciam um prêmio de 120 pontos-base acima do bônus externo do governo brasileiro. De acordo com participantes que tiveram acesso às informações da emissão, os papéis do Maranhão preveem remuneração inicialmente de 175 pontos-base acima do rendimento do bônus soberano com vencimento em 2019.

A fonte observou que, embora os bônus do Maranhão paguem um prêmio mais alto, ao mesmo tempo são, teoricamente, mais seguros, porque têm em contrato a garantia da União. "Todos sabem que os bônus da Caixa e do BNDES têm, implicitamente, garantia do governo brasileiro, mas os papéis do Maranhão têm a vantagem de terem tal garantia por escrito", disse a fonte. Os investidores preferem, portanto, comprar esse papel, acrescenta.

Minas Gerais

Operação semelhante à que o Maranhão está fazendo foi realizada no ano passado com o Estado de Minas Gerais, que vendeu uma dívida com a União para o Credit Suisse que foi repassada aos investidores. Dessa forma, o Estado de Minas teve o custo dessa dívida reduzido e o banco ganhou um spread entre o prêmio cobrado para adquirir os bônus do Estado e o prêmio da colocação junto ao investidor estrangeiro.

Segundo outras fontes ouvidas pelo Broadcast, vários outros Estados brasileiros estruturam a mesma operação, com o fim de reduzirem o peso de sua dívida. Em entrevista concedida em abril, o secretário da Fazenda de Minas Gerais, Leonardo Mauricio Colombini Lima, disse que o custo total de tal dívida caiu de 8,18% para uma média de 4,2%, além de o pré-pagamento ter garantido um abatimento de R$ 2 bilhões da dívida.

Em nota, o Estado do Maranhão disse que, com essa renegociação, haverá economia, somente neste ano, de R$ 380 milhões. A oferta de dívida do Maranhão é de US$ 662 milhões. O Bank of America Merrill Lynch está coordenando a operação, que de acordo com uma fonte, é um híbrido de private placement (colocação privada) e de uma oferta com esforços de distribuição. Segundo essa fonte, a oferta tem uma ordem inicial de mais de US$ 300 milhões. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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