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Boom de IPO chinês: risco de bolha?

As 35 ofertas iniciais de ações de empresas chinesas feitas em 2010 representaram 23% de todos os IPOs nos EUA; em 2000, eram 1%

Thomas Kaplan, O Estado de S.Paulo

20 de dezembro de 2010 | 00h00

Há duas semanas, as ações da Youku, conhecida como o YouTube da China, subiram 161% no seu primeiro dia de negócios na Bolsa de Valores de Nova York. As ações da loja online China Dangdang, aclamada como a Amazon.com chinesa, dispararam no dia da sua oferta pública inicial (IPO) com um aumento de 87%. A provedora de conteúdo de internet ChinaCache International Holdings viu suas ações saltarem 95% um dia depois da sua estreia na Bolsa Eletrônica Nasdaq, em outubro.

O forte interesse dos investidores por essas novas empresas de tecnologia - e as dezenas de outras empresas chinesas que começaram a ter suas ações negociadas em Bolsa nos Estados Unidos nos últimos meses -, no entanto, tem levado alguns a se perguntarem se esse boom pode terminar numa bolha. "Se esses IPOs continuarem, os investidores vão apostar nelas até o carrossel parar", diz Scott Sweet, sócio gerente da empresa de pesquisa IPO Boutique. "E quando ele parar, isso vai suceder sem muitos avisos - e será um desastre."

Em meio a um mercado de IPOs apático, as empresas da China vêm encontrando abrigo nos Estados Unidos. Em uma única semana, seis empresas chinesas começaram a ser negociadas na Bolsa de Valores de Nova York e na Bolsa Eletrônica Nasdaq. As 35 ofertas chinesas feitas só neste ano representaram 23% de todas as ofertas públicas iniciais nos Estados Unidos. Em 2000, eram apenas 1%, segundo a Thomson Reuters.

Novas ofertas iniciais são previstas para os próximos meses. A maior rival da Youku, a Tudou, já apresentou seus planos, no mês passado, para negociar suas ações em bolsas americanas. Para as empresas chinesas serem listadas em bolsas americanas, elas precisam atender a normas de divulgação dos resultados e de contabilidade mais rígidas - o que pode custar caro para empresas de menor porte que estão começando. Mas as recompensas são grandes já que, potencialmente, ter as ações negociadas em bolsas americanas significa acesso a mais capital, uma base de investidores maior e o status de empresa negociada na Bolsa de Valores de Nova York ou na Nasdaq. "Significa muito quando você faz negócios a nível internacional", diz Scott Cutler, vice-presidente executivo e chefe de registros em bolsa da NYSE Euronext.

Comparações. Quando uma empresa chinesa é listada na Bolsa dos Estados Unidos, é provável também que ela seja comparada, no mercado doméstico, a alguma gigante do seu setor, como é o caso do Youku e YouTube. E isso pode despertar um maior interesse dos acionistas. Depois da primeira oferta pública de ações da sua companhia, o fundador e diretor executivo da Youku, Victor Koo, disse que aquele foi "um grande dia". "Com este passo, a Youku poderá crescer e se tornar a principal provedora de conteúdo para os usuários chineses de internet, abrangendo todos os dispositivos de acesso à rede", disse Koo em comunicado.

À primeira vista, essa última fornada de ofertas públicas chinesas parece ter desempenho melhor que o do grupo mais amplo de empresas recentemente listadas nos Estados Unidos. Em média, o retorno das chinesas foi de 30,5% neste ano, em comparação com os ganhos de 22% de todas as novas ações, segundo dados da empresa de investimentos Renaissance Capital.

Mas, excluindo o primeiro dia de negociações, os números contam uma história diferente. As empresas chinesas cujas ações passaram a ser negociadas em bolsas americanas neste ano contabilizaram uma alta de 10,9%, em comparação com os 11,4% contabilizados por todas as outras companhias que fizeram IPO.

O interesse dos investidores pela Youku já esfriou bastante. As ações continuaram a subir no dia seguinte à euforia do IPO mas, depois disso, começaram a cair. Na semana passada, chegaram a valer US$ 30,40 - 138% acima do preço inicial da oferta, mas uma queda de 39% em relação à sua maior alta, que foi de US$ 50./ TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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