Bosch/Divulgação
Bosch/Divulgação

Bosch antecipa abertura de fábrica de semicondutores na Alemanha que deve abastecer o Brasil

Falta do componente tem provocado a paralisação de montadoras em todo o mundo; empresa é a sexta maior fabricante global de chips 

Cleide Silva, O Estado de S.Paulo

07 de junho de 2021 | 11h09

Em meio à maior crise de falta de semicondutores, que tem levado fábricas de veículos à paralisação no mundo todo, a Bosch antecipou em seis meses a inauguração de uma fábrica do componente na Alemanha, que vai abastecer o mercado local e outras unidades do grupo, e possivelmente o Brasil.

A solenidade de inauguração, nesta segunda-feira, 7, foi feita de forma online e teve a participação da primeira ministra alemã, Angela Merkel, confirmando assim a importância da produção local de chips, hoje dominada por países asiáticos, embora a Bosch seja a sexta maior fabricante global do componente.

O evento teve também visita virtual à fábrica, que recebeu € 1 bilhão em investimentos (cerca de R$ 6,1 bilhões), parte financiada pelo governo local e por instituições financeiras da União Europeia. “É o maior investimento individual feito pela Bosch em todos os seus 130 anos de história”, disse o presidente mundial do grupo Volkmar Denner, que não divulgou a capacidade produtiva da nova unidade, a segunda na Alemanha.

De acordo com ele, a última fábrica desse componente havia sido inaugurada em 2010. O novo complexo iniciará a produção em julho, inicialmente com semicondutores para produtos eletrônicos. Em setembro entrará em operação a linha direcionada à indústria automobilística.

Serão gerados 700 empregos de alta qualidade. Paralelamente à inauguração, por falta de componentes, a Bosch está com sua unidade em Braga, Portugal, parada desde o dia 10 de maio, com retorno previsto para o dia 9, mas podendo ser prorrogado.

Denner afirmou que o novo projeto “vai contribuir para aliviar a situação e reduzir a pressão”, mas admitiu que a falta global de chips deve continuar até 2022. “Ainda vamos enfrentar meses difíceis no segundo semestre”, afirmou.

Besalel Botelho, presidente da Bosch América Latina e Brasil, reforça a importância da nova unidade ao ressaltar que a nova fábrica de semicondutores beneficiará todos os setores industriais, pois os chips, presentes no dia a dia de todos, sejam nos eletrodomésticos, celulares, automóveis, relógios etc., trarão mais conectividade e inteligência tanto para a indústria em geral quanto para a sociedade.

"Esse investimento fortalece ainda mais a estratégia de crescimento da Bosch no desenvolvimento e fabricação de semicondutores alavancando, dessa forma, sua competitividade ao combinar  sua experiência em conectividade - internet das coisas/IoT - com inteligência artificial (AI) na geração de novos negócios e, assim, se tornar uma empresa líder em AIoT", disse Botelho. Segundo a empresa, ainda não há detalhes sobre abastecimeto para a filial brasileira. 

Fábricas paradas no Brasil

No Brasil, duas fábricas da Volkswagen, em Taubaté (SP) e em São José dos Pinhais (PR), suspenderam a produção a partir desta segunda por falta do componente para os automóveis Gol, Voyage, Fox e T-Cross, fabricados nessas unidades. A paralisação deve durar dez dias, período em que os cerca de 4 mil funcionários de ambas as plantas ficarão em férias coletivas.

A General Motors vai suspender a produção da unidade de São Caetano do Sul (SP) por seis semanas a partir do dia 21, e aproveitará para também adequar a linha de montagem para o início da produção de uma nova picape. A fábrica do grupo em Gravataí (RS) está parada desde abril e só deve retomar as operações em meados de agosto. A unidade produz o Onix, modelo mais vendido da marca. Antes do problema de abastecimento, o compacto liderava as vendas totais de carros no País há vários anos.

Uma das justificativas da GM para o longo período de paralisação da fábrica gaúcha é que novo Onix chega a ter aproximadamente mil semicondutores e sistemas integrados espalhados por quase 20 módulos, até o dobro da quantidade encontrada em outros modelos da mesma categoria.

Levantamento feito pela montadora indica que, do total de semicondutores em carros mais tecnológicos a combustão, 30% estão nos sistemas de segurança, 30% nos sistemas de conforto e conveniência, 25% nos sistemas de conectividade e 15% entre os sistemas de propulsão.

A Nissan, por sua vez, informou que deve interromper as atividades em Resende (RJ) por cinco dias pelo mesmo motivo. No início do mês passado, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) já havia alertado que as próximas semanas devem ser as mais complicados em termos de abastecimento de semicondutores e que novas paradas de produção deveriam ser necessárias, assim como ocorreu no início do ano, quando pelo menos metade das montadoras tiveram de desligar as máquinas. 

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