Bosch demite cerca de 900 trabalhadores em Curitiba

Segundo a empresa, a crise reduziu a demanda no mercado automotivo, o que afetou a companhia

Evandro Fadel, de O Estado de S. Paulo,

18 de junho de 2009 | 19h12

A Bosch demitiu nesta quinta-feira, 18, cerca de 900 funcionários da unidade que possui na Cidade Industrial de Curitiba e concedeu licença remunerada até o dia 28 para as outras 3 mil pessoas que prestam serviço, entre metalúrgicos e trabalhadores administrativos. Segundo a empresa, a crise reduziu a demanda no mercado automotivo, o que afetou a empresa, líder mundial no fornecimento de tecnologia e serviços. O Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba pretende suspender as demissões com uma liminar no Tribunal Regional do Trabalho, ao mesmo tempo em que chamará o Ministério Público do Trabalho para buscar uma alternativa.

 

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Em uma nota, a empresa afirmou que desde o último trimestre de 2008 o número de pedidos de clientes vem diminuindo, o que a obrigou a uma redução forte no volume de produção, sobretudo de peças destinadas à exportação. A Bosch acentuou ter tentado algumas alternativas como cancelamento temporário de novas contratações, adequação de turnos, férias coletivas e restrição de gastos. Ainda segundo a empresa, o sindicato não aceitou a redução de jornada e salário. "A Bosch lamenta as cerca de 900 demissões efetivadas hoje e informa que esta ação foi necessária para garantir a competitividade da fábrica de Curitiba em longo prazo", disse a nota.

 

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, Sérgio Butka, afirmou que foi uma surpresa o anúncio de ontem. Segundo ele, em 12 de maio o sindicato havia se reunido com a direção da empresa em razão de algumas pessoas que estavam ociosas na fábrica serem obrigadas a fazer outros serviços, inclusive limpeza de banheiros. "O objetivo era fazer com que eles pedissem demissão", disse Butka. Depois de algumas conversas em que o sindicato pretendia que fossem adotadas medidas alternativas para garantir os empregos, a empresa teria avisado que não haveria demissões. "Por isso fomos surpreendidos", ressaltou. Ele disse considerar "difícil" o caminho da Justiça para reverter as demissões. Se não houver resposta positiva, uma assembleia já está marcada para o dia 29.

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