Bósnia é campeã mundial em qualidade de camisetas de seleção

Instituto alemão especializado em certificação encontra substâncias proibidas e cancerígenas em um terço das camisetas de seleções vendidas para crianças

Economia & Negócios

16 de junho de 2014 | 12h04

Camisetas infantis das seleções que participam da Copa 2014 podem conter substâncias proibidas como o cádmio ou cancerígenas, como o corante azo. 

Um grupo mundial especializado em certificação e inspeção, o TÜV Rheinland, da Alemanha,  testou 90 camisetas infantis das seleções participantes da Copa do Mundo da FIFA. 

O objetivo foi o de avaliar a qualidade das peças e a presença de substâncias químicas para saber se atendem os padrões definidos pela Comunidade Europeia. 

As camisetas avaliadas não são oficiais e foram compradas de redes varejistas, lojas de souvenirs ou via e-commerce, a um preço médio de € 15 por camisa, o equivalente a R$ 45,00. 

As 90 camisetas passaram por testes no laboratório têxtil da TÜV Rheinland na Turquia. Os resultados foram considerados alarmantes.

"Foi constatada, em cerca de 30% das camisetas, a presença de substâncias tóxicas não permitidas nos EUA e na Europa", afirma o porta-voz da TÜV Rheinland, Frank Dudley. 

O uso de corante azo, considerado cancerígeno, e do metal cádmio, classificado como "perigosos para a saúde" e "altamente tóxico", foi considerado preocupante.

Ao todo, 32 camisas excederam o limite europeu para os ftalatos, que são plastificantes utilizados principalmente para impressões sobre tecidos. Há uma suspeita de que os plastificantes causam disfunção hormonal e, portanto, estão proibidos de uso na indústria têxtil. Eles podem ser facilmente substituídos por outras substâncias.

Cinco camisetas ultrapassaram o limite europeu para o cádmio. O cádmio, um metal pesado, também pode ser perigoso em concentrações mais elevadas e causar reações cutâneas, por exemplo. Outro produto (uma camisa de torcedor da Bélgica) ultrapassou o limiar europeu para corantes azo. Alguns corantes azo são cancerígenos e, portanto, estão proibidos de uso na indústria têxtil.

Em 25 das camisetas, a qualidade do acabamento também foi apontada como inadequada. As camisetas apresentaram mais problemas após a lavagem, com os testes apontando mudanças em 28 dos produtos.

Foram analisadas três camisas de torcedores brasileiros, sendo que uma não passou no teste do ftalatos, outra não passou no teste da lavagem e a terceira não passou nos testes do ftalatos e de lavagem.

Apenas 30 camisetas estavam livres de substâncias tóxicas e passaram por todos os testes de laboratório.

A final da primeira Copa sobre a qualidade têxtil das camisetas, a camiseta da Bósnia foi considerada a campeã e a de Portugal ficou em segundo lugar.

O grupo TÜV Rheinland foi criado na Alemanha há mais de 140 anos. No Brasil, a empresa possui cerca de seis mil certificações e atende a mais de 1,5 mil clientes.

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