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Botnia começa a operar no Uruguai

Pivô da Guerra das Papeleiras entra em funcionamento e irrita o presidente da Argentina, Néstor Kirchner

Ariel Palacios, O Estadao de S.Paulo

10 de novembro de 2007 | 00h00

A Guerra das Papeleiras, na qual Uruguai e Argentina se enfrentam há dois anos, entrou em nova etapa a partir de ontem, com o início do funcionamento do pivô do conflito, a fábrica de celulose da empresa finlandesa Botnia, no município uruguaio de Fray Bentos, sobre o Rio Uruguai, que divide os dois países. O presidente Néstor Kirchner ficou furioso ao tomar conhecimento que a fábrica já estava funcionando. Durante um dos intervalos da Cúpula Ibero-americana em Santiago, encontrou-se com o presidente uruguaio Tabaré Vázquez no banheiro e disse: "Você nos deu uma punhalada nas costas". Vázquez tentou explicar seus motivos, mas Kirchner se negou a dialogar.Na seqüência, em Buenos Aires, de maneira mais formal que a curta conversa presidencial no banheiro, o governo argentino convocou o embaixador uruguaio e apresentou oficialmente seu protesto. Segundo o chefe do gabinete de ministros, Alberto Fernández, por causa da Botnia, a relação com o Uruguai "ficou muito ferida" e a atitude de Vázquez "está à beira do cinismo". Vázquez disse que "o Uruguai não tem de pedir licença a ninguém".Kirchner e seus assessores acreditavam que a fábrica só começaria a funcionar na segunda-feira. A idéia argentina era de que, dessa forma, Kirchner não teria de pagar o custo do início do funcionamento durante a cúpula de Santiago.A fábrica da Botnia é abominada pelos habitantes do lado argentino da fronteira, sob a alegação de que ela causará um apocalipse ambiental e econômico. O governo uruguaio, respaldado pela opinião pública, nega-se a suspender o funcionamento da fábrica, maior investimento da história do país, no total de US$ 1,2 bilhão, equivalente a 9% do Produto Interno Bruto (PIB) uruguaio. Os analistas afirmam que a Guerra da Celulose foi útil para Kirchner, que usou o Uruguai como bode expiatório dos problemas internos argentinos.Desde 2005 os moradores de Gualeguaychú (cidade de 90 mil habitantes) realizam piquetes nas pontes entre os dois países, para pressionar o governo uruguaio. A ponte com Fray Bentos está bloqueada há um ano. Embora os piquetes violem o princípio de livre circulação de bens e pessoas do Mercosul, Kirchner recusou-se a reprimir os manifestantes. Os piquetes argentinos provocaram prejuízos de mais de US$ 700 milhões ao Uruguai. Na cúpula de Santiago, Vázquez comparou a situação de seu país com a fronteira argentina com o bloqueio dos Estados Unidos contra Cuba. Apesar da demonstração de indignação do governo argentino, em Buenos Aires existia total conhecimento de que a fábrica da Botnia estava prestes a funcionar. Na semana passada a Botnia havia conseguido a autorização do governo uruguaio, mas só faltava a assinatura do presidente Tabaré Vázquez, o que ocorreu na quinta-feira.

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