Botnia frustra diálogo entre Argentina e Uruguai

A empresa finlandesa Botnia frustrou as expectativas argentinas de iniciar um diálogo que coloque fim ao conflito com o Uruguai em torno da instalação da fábrica de celulose em Fray Bentos. O gerente de Relações Públicas de Botnia, Marko Janhunen, descartou a construção de um duto para desviar os efluentes líquidos longe de Gualeyguachú, além de reafirmar que não mudará a localização da planta. "Não há nenhuma razão para relocalizar a planta. Os estudos mostram que não haverá nenhum tipo de impacto ambiental", afirmou na Finlândia.A declaração é uma resposta ao plano do mediador do conflito, o enviado do Rei da Espanha, embaixador Juan Antonio Yáñez Barnuevo. Entre as propostas estão a construção do duto e de uma ilha verde para dissimular a vista das chaminés da fábrica. O plano, segundo fonte da chancelaria, havia entusiasmado o governo argentino, que se mostrou aberto ao início do diálogo. O presidente Tabaré Vázquez também demonstrou estar disposto a conversar com Kirchner. A posição da Botnia caiu como um balde de água fria no governo, que a criticou como "inflexível" e a acusou de "impedir avançar na busca do diálogo entre a Argentina e Uruguai".À noite, em entrevista à agência oficial de notícias, Télam, uma fonte da chancelaria disse que o momento escolhido pela Botnia para demonstrar "sua intransigência foi muito inoportuno". O mediador concluiu na quinta-feira, a terceira rodada de reuniões entre os governos de ambos os países. Antes de voltar para a Espanha, Barnuevo deixou a sensação, segundo uma fonte da chancelaria, de que o assunto estava encaminhando-se para a retomada do diálogo entre os dois presidentes.

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