Bottini é afastado da gestão de recuperação da Varig

O juiz que conduz o processo de recuperação judicial da Varig, Luiz Roberto Ayoub, confirmou nesta quinta que o executivo Marcelo Bottini foi afastado da gestão interina do plano de recuperação da Varig, a pedido do fundo de pensão Aerus e de outros credores. Isso permite que consultoria americana Alvarez & Marsal indique, com a concordância da Brascan, o nome do gestor do plano, como adiantou ontem o Estado. Bottini continua, porém, ocupando a presidência executiva da Varig. Depois das declarações da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, que atribuiu a crise da companhia a sucessivos erros de gestão, o juiz afirmou que é hora de deixar de lado a discussão sobre os culpados e que todos os envolvidos" devem partir para a busca de soluções. "Vamos botar uma pedra no passado. É importante acabarmos com essa história de quem é culpado. Todos temos responsabilidade e ponto final", disse, sem citar nominalmente a ministra e frisando que não a estava criticando. "Cada um tem a sua responsabilidade. Não tenho nenhuma autoridade de ficar criticando quem quer que seja. A ministra Dilma falou o que ela acha que deveria falar, deve ter seus fundamentos", respondeu o juiz, reforçando, em seguida, o apelo para a busca de uma solução. O pedido do Aerus para afastamento de Bottini da gestão, conforme parecer do Ministério Público (MP), foi feito com o objetivo de antecipar a "gestão profissional das companhias" em recuperação. À tarde, a Varig confirmou que o executivo continua na presidência da empresa e informou que as notícias sobre "suposta troca de comando" são "precipitadas, imprecisas e não procedem". Segundo fontes que acompanham diretamente o processo, porém, a Alvarez&Marsal deverá também assumir a gestão profissional da Varig, em prazo ainda não definido, indicando novos diretores para empresa. Outra hipótese é a VarigLog concretizar a compra da companhia e assumir a direção, inclusive mantendo executivos em seus cargos. O juiz Luiz Roberto Ayoub informou que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) definiu que a 8ª Vara Empresarial é responsável pelas decisões ligadas ao Caso Varig, até o julgamento final da análise do conflito de competência com a Justiça do Trabalho. Ficará a cargo do juiz decidir o arresto de bens da Varig determinado pela Justiça do Trabalho terá ou não validade. Ayoub também salientou que não adianta, neste momento, ficar "revolvendo o tempo". Chegou a citar que o Executivo vem dando contribuições, destacando as preocupações com os empregos na companhia e o papel da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Até ontem, não havia dado entrada na Justiça o pedido dos trabalhadores para que BR e Infraero dêem prazo à Varig.

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