Bovespa abre em alta e oscila; NY opera no terreno positivo

Temores de recessão neutralizam otimismo sentido depois que governos anunciaram pacotes de ajuda a bancos

Redação,

16 de outubro de 2008 | 10h23

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) abriu em alta nesta quinta-feira, 16, e passou a oscilar depois de subir mais de 1%. Os índices da Bolsa de Nova York abriram em alta com dados favoráveis sobre inflação e desemprego nos EUA. Na Ásia, os índices despencaram e a Europa também opera em baixa. Os temores de uma recessão neutralizaram o otimismo sentido depois que os governos dos Estados Unidos e de vários países europeus anunciaram pacotes de ajuda aos bancos. Às 10h58 (de Brasília), a Bovespa subia 0,50%, aos 37.018 pontos. Já o dólar tinha alta de 2,68%, cotado a R$ 2,223, na máxima do dia. Em NY, Dow Jones subia 1,43%; Nasdaq avançava 2,29%; e S&P 500 tinha alta de 1,80%.   Veja também: Confira as medidas já anunciadas pelo BC contra a crise  Compulsório demora a virar crédito no País Se banco não emprestar, BC tomará dinheiro de volta, diz Lula Fed não descansará enquanto não resolver crise, diz Bernanke Consultor responde a dúvidas sobre crise   Como o mundo reage à crise  Entenda a disparada do dólar e seus efeitos Especialistas dão dicas de como agir no meio da crise A cronologia da crise financeira  Dicionário da crise    Mesmo com os dados positivos, as bolsas de NY podem ser pressionadas pela queda de 2,8% da produção industrial no mês passado naquele país, bem maior que o recuo de 0,8% previsto por analistas. Antes, o governo dos EUA informou que o índice de preços ao consumidor ficou estável em setembro na comparação com agosto e que o núcleo do índice subiu apenas 0,1%. Ambos ficaram abaixo da previsão média de analistas, de altas de 0,1% e 0,2%, respectivamente.   Além disso, houve queda de 16 mil do número de pedidos de auxílio-desemprego na semana passada, acima do recuo de 13 mil previsto. "Os pedidos de auxílio-desemprego ainda estão muito elevados, e talvez não teriam tido muito impacto se não estivéssemos no ambiente atual", disse o analista de futuros Frank Lesh, acrescentando que, depois da forte queda de ontem, é natural que hoje haja algum espaço para recuperação, ainda que modesta. Lesh disse isso antes da divulgação do dado de produção industrial.   Balanços   Além dos indicadores, a manhã foi cheia de balanços, com destaque para nomes importantes do setor financeiro. Citigroup, que subia 0,86% no pré-mercado, anunciou prejuízo líquido de US$ 2,8 bilhões no terceiro trimestre, em meio a perdas de US$ 4,9 bilhões com títulos hipotecários e outros produtos de crédito.   Merrill Lynch subia 3,95%, após divulgar prejuízo líquido com operações continuadas de US$ 5,1 bilhões (US$ 5,56 por ação diluída), 112,5% maior do que as perdas de US$ 2,4 bilhões (US$ 2,99 por ação diluída) no terceiro trimestre de 2007. O prejuízo líquido foi de US$ 5,2 bilhões (US$ 5,58 por ação diluída) no período. Bank of NY Mellon avançava 6,32%, embora tenha anunciado queda de 54% de seu lucro líquido no terceiro trimestre, para US$ 303 milhões.   Pessimismo   Depois de duas sessões consecutivas em alta, na esteira do otimismo com a recapitalização de bancos na Europa e nos Estados Unidos, a bolsa paulista volta a acusar o pessimismo dos investidores com um cenário de queda nos lucros de empresas.   Na quarta-feira, a Bovespa fechou em queda de 11,39% - a maior em dez anos -, aos 36.833 pontos, seguindo a piora nos mercados de Nova York após as declarações dadas pelo presidente do Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA), Ben Bernanke.   Destacando as ameaças ao crescimento econômico, Bernanke alertou que os mercados de crédito levarão tempo para descongelar e acrescentou que, mesmo se os mercados financeiros se estabilizarem, a economia não irá se recuperar logo em seguida. O Livro Bege do Fed também mostrou que a atividade econômica e o mercado de empregos sofreram um enfraquecimento em todos os 12 distritos do Federal Reserve em setembro.   (com BBC e Agência Estado)

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