Bovespa abre em forte alta seguindo Europa e Ásia

Mercado paulista ensaia recuperação, depois de fechar em queda de 6,50% na segunda-feira

Redação,

28 Outubro 2008 | 11h11

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) abriu em forte alta nesta terça-feira, 28, seguindo o bom desempenho dos mercados europeus e asiáticos. Na segunda-feira, o principal índice da bolsa paulista fechou em queda de 6,50%, para 29.435 pontos, a quinta queda consecutiva. Foi a primeira vez em três anos que o índice caiu abaixo de 30 mil pontos. Às 11h19 (de Brasília), o Ibovespa acelerava a alta para 6,58%, aos 31.372 pontos. No mesmo horário, o dólar caía 2,09%, cotado a R$ 2,197.   Veja também: Lições de 29 A crise de 29 na memória de José Mindlin Veja o que muda com a Medida Provisória 443 Veja as semelhanças entre a MP 443 e o pacote britânico Consultor responde a dúvidas sobre crise   Como o mundo reage à crise  Entenda a disparada do dólar e seus efeitos Especialistas dão dicas de como agir no meio da crise A cronologia da crise financeira  Dicionário da crise    Nesta terça, o Comitê de Mercado Aberto do Federal Reserve (Fomc) inicia reunião de dois dias, devendo anunciar sua decisão de política monetária para os EUA somente na quarta-feira, assim como o Copom brasileiro - que decide sobre a próxima taxa Selic. Os índices da Bolsa de Nova York também abiram com forte valorização. Logo no início do pregão, Dow Jones subia 1,98%, Nasdaq acelerava os ganhos para 3,13% e S&P 500 subia 1,73%.    O ministro da Fazenda, Guido Mantega, volta nesta terça ao Congresso para apresentar explicações sobre o processo de edição da Medida Provisória (MP) 443, que autorizou o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal a adquirirem participação em instituições financeiras - inclusive o controle delas - e irritou os parlamentares oposicionistas e alguns governistas.   Europa   Trazendo de volta o temor de um recessão global, o banco central britânico anunciou nesta terça uma estimativa de que as perdas globais para bancos e investidores na atual crise financeira podem chegar a US$ 2,8 trilhões. O número é equivalente a mais de duas vezes o PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro (de US$ 1,3 trilhão, segundo dados do Banco Mundial) e mais de 5% do PIB mundial (de US$ 54,3 trilhões).   A previsão sombria, porém, não afetou os mercados europeus, que mantêm os ganhos do início do pregão. Às 11h15 (de Brasília), Londres subia 3,42%, Frankfurt ganhava 8,84%, com a valorização das ações da Volkswagen, e Paris registrava alta de 2,32%.   Pessimismo   Na França, o índice de confiança do consumidor atingiu mínima histórica em outubro, recuando de -44 em setembro para -47, de acordo com o departamento de estatísticas do país (Insee). Economistas consultados pela Dow Jones previam uma leitura de -46.   Nesta terça, o banco central da Islândia elevou a taxa básica de juros da economia de 12% para 18%, revertendo um corte de 3,5 pontos porcentuais feito no dia 15, quando a autoridade monetária tentou aliviar a pressão sobre a economia do país. Segundo a autoridade monetária, o aumento visa a garantir a estabilidade da moeda. O BC islandês disse também que a taxa vai recuar novamente se a inflação perder força.   Em dia de diversos balanços, a Honda Motor anunciou queda de 41% no lucro líquido do seu segundo trimestre fiscal e emitiu um alerta de lucro para o ano fiscal que termina em março de 2009, refletindo o duro período pelo qual passa a montadora japonesa, em meio à crise global.   Ásia   Nesta terça, as autoridades japonesas anunciaram que irão adiantar a implementação de uma medida que proíbe a prática da venda especulativa antecipada de ações que se beneficia da tendência de queda, uma manobra conhecida no jargão financeiro pelo termo de "short selling". Com isso, o índice Nikkei, da Bolsa de Valores de Tóquio, no Japão, fechou em alta de 6,4%, depois de ter caído para o nível mais baixo em 26 anos na segunda-feira.   Além disso, os exportadores foram ajudados por uma queda acentuada no valor da moeda japonesa, o iene, contra o dólar. Os valores das ações caíram na abertura dos mercados na Ásia nesta terça, depois de um dia de instabilidade ao redor do mundo, mas se recuperaram ao longo do dia.   O índice Kospi, da Coréia do Sul, teve uma queda inicial de 2,6%, mas depois subiu para fechar em alta de 5%. Em Hong Kong, a recuperação foi ainda mais espetacular, fechando em alta de mais de 14%.   Texto ampliado às 11h30   (com BBC Brasil, Reuters e Agência Estado)

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