Bovespa abre em queda, afetada por pessimismo no exterior

Discurso feito pelo presidente do Fed na quinta-feira ainda influencia negativamente os mercados mundiais

Sueli Campo, da Agência Estado,

15 de fevereiro de 2008 | 11h22

O desempenho negativo dos mercados no exterior influenciou a Bolsa de Valores de São Paulo nesta sexta-feira, 15. O principal índice da Bovespa abriu em queda, e, às 11h31, cedia 1,66%, aos 60.794 pontos. O mercado ainda é afetado pelo discurso de quinta-feira do presidente do banco central americano (Fed), Ben Bernanke, que renovou as preocupações com a desaceleração da economia americana e fez crescer, de novo, o temor de recessão nos EUA.   Os negócios na Bovespa nesta sexta podem ser influenciados pelo vencimento de opções sobre ações na próxima segunda-feira, repercutindo nos principais papéis do vencimento, como Vale e Petrobras.   As notícias externas relacionadas ao setor bancário não são boas. O Citigroup impediu investidores de um fundo do banco de retirarem seu dinheiro, após uma grande aposta em empréstimos corporativos ter dado errado. Ao mesmo tempo, o governador de Nova York, Eliot Spitzer, deu às seguradoras de bônus um prazo de cinco dias úteis para levantar capital, caso contrário terão de enfrentar a intervenção dos órgãos reguladores, que querem proteger os mercados de bônus municipais.   Além disso, o banco suíço UBS divulgou nesta sexta que, se a situação das seguradoras de bônus piorar, os bancos em todo o mundo continuam em risco de realizar perdas contábeis adicionais de US$ 120 bilhões. "Os bancos fizeram progressos nas baixas contábeis relacionadas ao mercado de crédito", disse o analista Philip Finch, em relatório para investidores. "Mas mais baixas são esperadas", acrescentou.   Aqui, as atenções devem se voltar para as blue chips Vale e Petrobras. No caso da estatal do petróleo, os jornais estampam nas manchetes o furto de dados sigilosos da companhia sobre a Bacia de Santos. Na quinta, as ações preferenciais (PN) da Petrobras fecharam em baixa de 1,22%, em linha com a queda do Ibovespa, de 1,23%. Analistas dizem que é difícil avaliar o impacto dessa notícia nas ações da estatal, pois não se sabe quais segredos foram roubados. Além disso, esse tipo de investigação deve ser conduzido pela Justiça de forma sigilosa.   Na Europa, onde as bolsas também operam em baixa, os rumores sobre mineradoras continuam fortes e podem impactar as ações da Vale, que está diretamente envolvida nesses comentários. A Vale estaria discutindo com a suíça Glencore, maior acionista da mineradora anglo-suíça Xstrata, os termos para uma possível compra da Xstrata por 45 bilhões de libras (US$ 88,4 bilhões), de acordo com o jornal britânico The Times.   Segundo relatório da Link Corretora, caso os valores estejam certos, a notícia é ruim para a Vale, que vê o ativo que quer comprar ficando cada vez mais caro.

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