Bovespa abre em queda e pessimismo deve continuar

Baixa é de mais de 2%. Na Europa, as bolsas caem, com a frustração sobre possível redução dos juros na região

Agência Estado,

23 de janeiro de 2008 | 11h03

Depois de um dia de reações positivas, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) volta a operar em queda. Na abertura dos negócios, a baixa era de 0,49%. Poucos minutos depois (às 11h10), a baixa chegava a 2,41%. Na Europa, as bolsas também operam em queda, com a frustração dos investidores em relação a uma possível redução dos juros na região, acompanhando a decisão do Fed. Às 10h30, Londres caía 1,29%. Em Paris, a bolsa recua 1,72%, e Madrid cede 2,17%. O fechamento das bolsas na Ásia foi positivo. Veja também: Em meio a incertezas, Copom decide juro Fed reduz juro e alivia mercados Com corte de juros dos EUA, bolsas asiáticas fecham em alta Dólar abre em alta; Na Europa, bolsas operam em baixa Especialistas recomendam cautela com ações Entenda a crise nos Estados Unidos  Celso Ming comenta a crise no mercado financeiro   Em discurso, o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, não deu nenhum sinal de afrouxamento da política monetária. Ele afirmou que os bancos centrais devem ancorar as expectativas de inflação em "tempos difíceis" para evitar encorajar a volatilidade dos mercados. Segundo analistas, o clima de instabilidade e oscilações deve continuar, depois da trégua na terça-feira, provocada pela decisão do banco central dos Estados Unidos (Fed) de reduzir de forma surpreendente o juro no país. O fato é que os investidores gostaram da decisão do Fed, mas querem mais. Um novo corte de juro pode sair no final deste mês. Além disso, espera-se o detalhamento do pacote de ajuda nos EUA e a aprovação do Congresso. No Brasil, o dólar comercial abriu em alta de 1,17% nesta quarta-feira, cotado a R$ 1,8130, na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F). No mercado entre investidores (balcão), a moeda norte-americana é negociada a R$ 1,8100, em alta de 1%. Às 10h40, a moeda norte-americana é vendida a R$ 1,8115, em alta de 1,09%.  Nos Estados Unidos, os índices futuros do mercado acionário recuavam durante a manhã. Nesta quarta, devem repercutir na abertura os resultados da Apple, divulgados na noite de terça, depois do fechamento dos negócios. Como os números vieram abaixo do esperado, as perspectivas não são boas. No mercado pós-fechamento (after hours), as ações da empresa chegaram a cair 10%. Os investidores também vão repercutir os resultados da Motorola, que serão anunciados antes da abertura dos negócios. A empresa informou que obteve lucro líquido de US$ 100 milhões (US$ 0,04 por ação) no quarto trimestre deste ano. A expectativa era de um lucro de US$ 0,13 por ação. O desempenho representa queda de 84% em relação ao mesmo período do ano anterior, quando a segunda maior fabricante de celulares do mundo apresentou ganho de US$ 623 milhões (US$ 0,25 por ação). No pré-mercado, as ações da Motorola caem 6,5%.Decisão do FedA decisão do Fed de reduzir o juro básico do país - de 4,25% ao ano para 3,5% ao ano -, promovida na terça-feira, animou os investidores, mas não afastou definitivamente o risco de recessão nos Estados Unidos. O presidente do país, George W. Bush, anunciou na semana passada um pacote de ajuda fiscal no valor de US$ 150 bilhões e já sinalizou com aumento dos recursos. Enquanto aguardam a aprovação do pacote no Congresso americano, os investidores pedem mais: no final do mês, o juro americano pode cair novamente.Todas as atenções continuam voltadas para os sinais que a economia dos Estados Unidos dará nos próximos dias. Números do mercado de trabalho e do varejo devem mostrar o ritmo da atividade econômica do país. A cada dado divulgado, os investidores vão reagir.No Brasil, os investidores aguardam nesta quarta a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom), que deverá manter a taxa básica de juros (Selic) em 11,25% ao ano. Além disso, foi divulgado o Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S), da Fundação Getúlio Vargas, em 0,98% - dentro das expectativas (entre 0,80% e 1,01%). Ontem, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) subiu 4,45%, mas ainda acumula queda de 12,19% no ano. O dólar comercial fechou no patamar mínimo do dia, em R$ 1,7920 e sobe 0,96% no mês de janeiro.

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