Bovespa anunciará regras do Novo Mercado

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) deve anunciar no fim deste mês as regras detalhadas do Novo Mercado, a bolsa que vai contar apenas com ações ordinárias (ON) - que dão direito a voto - e terá como principal característica o respeito aos direitos dos acionistas minoritários. Segundo a superintendente de Relações com Empresas da Bovespa, Maria Helena Santana, o mercado deve entrar em funcionamento até março do ano que vem. A expectativa dos analistas é que empresas que ainda não abriram o capital vejam nessa bolsa a possibilidade de captar recursos a um custo menor recorram ao Novo Mercado, como muitas companhias do setor de tecnologia que não têm um fluxo de caixa para desenvolver seus projetos.Na semana passada, a BNDESPar anunciou um programa de apoio às pequenas e médias empresas, com orçamento inicial de R$ 300 milhões, que é bastante adequado ao Novo Mercado: para ter direito ao financiamento, será preciso adotar regras de boa governança corporativa, como só emitir ações ON e utilizar critérios internacionais de contabilidade. A expectativa é financiar de 60 a 70 empresas nos próximos cinco anos, principalmente na área de tecnologia.Boa governança traz vantagemMaria Helena acredita que não só empresas de tecnologia farão parte do mercado, mas qualquer uma que se interesse por captar recursos e ter o acionista minoritário como parceiro. A vantagem da boa governança corporativa para as empresas é que o custo de captação cai, pois o investidor se dispõe a pagar um prêmio por ações de empresas que respeitam seus direitos.Ela entende que as empresas que têm ações preferenciais (PN) e ordinárias (ON) negociadas na Bovespa não devem migrar para o Novo Mercado, pois o custo de transição para isso seria muito elevado, uma vez que seria preciso fazer aportes expressivos de capital para que a participação acionária do controlador não se diluísse. Na Bovespa, há 46 empresas que têm apenas ações ordinárias, das quais 6 (Copesul, Escelsa, Light, Souza Cruz, Sabesp e CSN) têm volume de negócios relevante.Analistas apontam prós e contras do Novo MercadoO gerente da BES Securities, José Eduardo Maia, vê com bons olhos a criação de um mercado em que a regra é o respeito ao minoritário. Ele acredita que empresas do setor de tecnologia, Internet e telefonia são candidatas naturais a entrar nesse mercado, embora destaque que companhias de outros segmentos também tendem a aderir a essa bolsa, porque o custo de captação deve ser menor.O gerente de Análise do HSBC Investment Banking, Fernando Aoad, é mais cético. Segundo ele, é preciso criar um mecanismo que incentive a migração das ações de grandes empresas da Bovespa para o novo pregão. No caso das empresas que têm ações PN, ele sugere que a instituição permita que essas companhias aumentem com o tempo a proporção de ações ON na estrutura acionária. Aoad entende que, sem a presença de papéis de empresas grandes, o mercado pode sofrer bastante com a falta de negócios.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.