Bovespa cai 1,6% com mal-estar político

Bovespa cai 1,6% com mal-estar político

Recusa da MP das desonerações afetou a Bolsa; empresas estatais, sobretudo Petrobrás e o Banco do Brasil, foram as mais afetadas

Claudia Violante, O Estado de S. Paulo

04 de março de 2015 | 18h15

O mal-estar político causado pela devolução da MP 669 ao governo, anunciada pelo presidente do Senado, Renan Calheiros, promoveu um dia de aversão ao risco nos mercados, o que se traduziu em perda para a Bovespa. As ações das empresas estatais, sobretudo Petrobrás e Banco do Brasil, foram as mais prejudicadas por esse embate, enquanto os papéis da Gerdau se destacaram em alta após um balanço favorável. 

O Ibovespa terminou o dia em baixa de 1,63%, aos 50.468,05 pontos, menor patamar desde 13 de fevereiro, quando encerrou em 40.635,92 pontos. Na mínima, marcou 50.399 pontos (-1,76%) e, na máxima, 51.303 pontos (estável). No mês, a Bolsa tem perdas de 2,16% e, no ano, alta de 0,92%.

O mercado já estaria hoje voltado para o primeiro dia de encontros da equipe da Standard & Poor's com a equipe econômica para reavaliar o rating do Brasil. Depois do rebaixamento da nota da Petrobrás pela Moody's para grau especulativo, criou-se um nervosismo de que o mesmo possa acontecer com a economia, diante da dificuldade em se implementar um ajuste fiscal em um cenário de números desoladores. 

Assim, o recado que Renan Calheiros quis dar ao governo ao não ver atendidas reivindicações suas foi muito mais duro do que gostaria o Planalto, que teve que se apressar para enviar um projeto de lei com o mesmo teor da MP 669 - e com regime de urgência - ao Congresso Nacional. 

Calheiros também seria um dos nomes incluídos na Lista de Janot, com 54 pessoas que devem ser investigadas pelo Supremo Tribunal Federal por participação nas irregularidades. O relator do cargo no STF, ministro Teori Zavascki, deve tirar os sigilos dos inquéritos até a próxima sexta-feira. 


Durante a tarde, o governo, por meio do ministro da Secretaria de Relações Institucionais, Pepe Vargas, tentou minimizar qualquer crise com o Congresso. Mas os investidores preferiram ficar na defensiva, sobretudo os estrangeiros, visto na porta de saída hoje. 

A sessão, no entanto, teve destaques positivos, como Gerdau, que agradou com seu balanço do quarto trimestre. O lucro líquido da Gerdau somou R$ 393 milhões no quarto trimestre do ano passado, queda de 20,1% em relação ao observado um ano antes. Apesar do recuo, o número superou as expectativas dos analistas e, por isso, levou os investidores às compras das ações da empresa. Em relação ao trimestre imediatamente anterior, o lucro da siderúrgica cresceu 50%. No ano, o lucro chegou a R$ 1,488 bilhão, queda de 12,2%.

Gerdau PN subiu 4,51% e Metalúrgica Gerdau PN, 4,27%. Ainda no setor, Usiminas PNA avançou 3,50% - as três maiores altas do índice. CSN ON ficou estável. 

PDG ON caiu 6,67% e liderou as perdas do Ibovespa, seguida por Estácio ON (-5,93%) e MRV ON (-5,63%). Petrobrás, BB e Eletrobras também estavam nesta lista. 

Petrobrás terminou nas mínimas, com a ON em baixa de 3,79% e PN, em 4,06%. BB ON também fechou no menor preço da sessão, com recuo de 5,04%. Eletrobras PNB, -3,89% e Eletrobras ON, -2,13%.

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