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Bovespa cai 1,8% e acumula perda de 7,87% na semana

Em uma sexta-feira marcada por intensa volatilidade, as bolsas de valores voltaram a fechar no vermelho. O Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) encerrou o pregão na pontuação mínima do dia, em queda de 1,80%. Na semana, a Bolsa paulista acumulou perdas de 7,87%. O Índice Dow Jones recuou 1,54% ontem e 4,23% na semana. O real recuperou parte das perdas registradas ante o dólar na quinta-feira. A moeda americana fechou a semana valendo R$ 1,894, em baixa de 1,76%. Em termos porcentuais, a queda de ontem foi a maior desde junho do ano passado. O risco Brasil, medido pelo banco JP Morgan, terminou a sexta-feira em queda de dois pontos, em 220 pontos. Os mercados acionários chegaram a ensaiar uma recuperação logo cedo, depois que o Departamento do Comércio dos Estados Unidos anunciou que o Produto Interno Bruto (PIB) do país cresceu 3,4% no 2º trimestre. O número superou a estimativa mais freqüente dos analistas, de 3,2%. Ao longo do dia, porém, a crise do mercado imobiliário americano voltou a se transformar no maior temor dos investidores e fez as bolsas caírem com mais intensidade perto do fechamento . A forte alta do petróleo, que em Nova York ficou a apenas US$ 0,01 da cotação recorde, também pressionou os negócios . (mais informações na página B16)A maioria dos analistas ainda acredita que a turbulência no mercado se deve a fatores "técnicos". Ou seja, ainda não se conhece com precisão os efeitos da crise imobiliária americana nos resultados de instituições financeiras. Se os prejuízos forem muito elevados, o crédito pode secar para o restante da economia, o que puxaria para baixo a atividade. "Não foram dados macroeconômicos que causaram essa turbulência e não serão esses indicadores que levarão a uma melhora, até porque continuam positivos", afirmou Fábio Kninik, analista-sênior do BES Investimento, referindo-se ao crescimento do PIB dos EUA maior do que o projetado.Alguns especialistas, no entanto, começam a procurar explicações para o vaivém além das questões técnicas. É o caso de Zeina Latif, economista-chefe do Banco ABN Amro Real. Segundo ela, embora o PIB americano do 2º trimestre tenha surpreendido positivamente, uma análise mais profunda revela que nem tudo é motivo para comemoração. "O PIB geral foi bom, mas o consumo, não", disse. "Será que a crise imobiliária está contaminando o consumo dos americanos?", indagou. Segundo o Departamento do Comércio, o consumo avançou 1,3% nos EUA no 2º trimestre, ante expansão de 3,7% nos três primeiros meses do ano. O resultado entre abril e junho foi o mais baixo desde o último trimestre de 2005. Por isso, observou Zeina, "a discussão hoje (ontem) piorou em relação ao início da semana". Em outras palavras: existe o risco, ainda que pequeno, de que os problemas no setor imobiliário americano tenham machucado mais a economia real do que se pensava. Zeina ainda acha improvável, mas ressalta que só o tempo poderá dar a resposta.

Leandro Modé, O Estadao de S.Paulo

07 de julho de 2028 | 00h00

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