Bovespa cai 3,67% na semana pressionada por crise na Europa

Cenário:

CLAUDIA VIOLANTE, O Estado de S.Paulo

17 de dezembro de 2011 | 03h08

O temor de rebaixamentos dos ratings soberanos de países da União Europeia manteve os investidores na defensiva e adicionou volatilidade aos negócios ontem. O mal-estar cresceu no meio da tarde, após a agência Fitch colocar em revisão para potencial rebaixamento as notas de crédito de Bélgica, Espanha, Eslovênia, Itália, Irlanda e Chipre - decisão que deve ser tomada até o final de janeiro de 2012. Além disso, a agência de classificação de risco rebaixou a perspectiva da nota da França de estável para negativa, afirmando que o crédito do país pode sofrer pressão da piora na situação econômica e financeira da zona do euro. Mas os investidores ficaram aliviados porque a Fitch reiterou, por ora, o rating triplo A da França. Mesmo tendo fechado antes de sair o comunicado da agência, as bolsas europeias registraram perdas. Em Nova York, o vencimento simultâneo de ações e índices, imprimiu trajetória errática às bolsas em meio à reação favorável dos investidores ao dado de inflação ao consumidor estável em novembro ante outubro nos EUA.

A Bovespa também mostrou volatilidade determinada por fatores técnicos. Os vendidos em opções sobre ações prometem ser os vencedores do vencimento de segunda-feira, o que levou o índice à vista a recuar 0,42%, aos 56.096,93 pontos. Com o resultado, o Ibovespa teve sua primeira semana de queda em dezembro, de 3,67%. No mês, acumula perda de 1,37% e, no ano, de 19,06%. O giro financeiro totalizou R$ 5,366 bilhões.

No câmbio, sob efeito da Fitch, o dólar à vista testou o sinal positivo rapidamente ontem à tarde, após oscilar em baixa desde a abertura. No entanto, como essa agência manteve o rating triplo A da França, o mercado reconsiderou e o dólar logo devolveu os ganhos nos negócios de balcão e no vencimento de janeiro de 2012. O fluxo cambial levemente positivo ajudou ainda a reconduzir a moeda norte-americana para a queda.

Assim, pelo segundo dia consecutivo, o dólar à vista caiu - cotado a R$ 1,8560 (-0,27%) no balcão. Mas, na semana, a moeda norte-americana subiu 2,77%, com ganho no mês de 2,60%.

De novo, as taxas futuras de juros foram pressionadas por um movimento técnico de fechamento de posições vendidas em virtude da proximidade do fim do ano. O mercado de juros também colocou no preço das taxas a declaração da presidente Dilma Rousseff de que a meta de crescimento para 2012 é de 5%, o que pode comprometer a tarefa do governo de trazer a inflação à meta.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.