Bovespa cai 6,91% e soma perda de mais de 50% no ano

Novos dados aumentam temor de recessão mundial entre os investidores e bolsas mundiais desabam

Da Redação,

24 Outubro 2008 | 18h40

A divulgação de novos dados que apontam para o risco de uma recessão acentuada nas principais economias voltou a provocar quedas significativas nas principais bolsas de valores do mundo nesta sexta-feira, 24, no dia em que a quinta-feira negra de 29, que desencadeou o crash da Bolsa de Nova York, faz 89 anos. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em queda de 6,91%, aos 31.481 pontos - o menor patamar desde o fechamento do dia 25 de novembro de 2005. Na semana, o Ibovespa acumulou uma perda de 13,50%. No mês, a queda alcança 36,45% e no ano, 50,72%. Em Wall Street, o Dow Jones caiu 3,59% e o Nasdaq 3,23%.   Veja também: A crise de 29 na memória de José Mindlin  Lições de 29  As grandes crises econômicas  Consultor responde a dúvidas sobre crise   Como o mundo reage à crise  Entenda a disparada do dólar e seus efeitos Especialistas dão dicas de como agir no meio da crise A cronologia da crise financeira  Dicionário da crise    O dia teve a divulgação também de balanços e previsões sombrios de diversas empresas, especialmente montadoras. Na Europa, uma das principais razões do pessimismo dos investidores foi a revelação de que o PIB da Grã-Bretanha caiu 0,5% no terceiro trimestre do ano - o primeiro recuo em 16 anos.   A montadora americana Chrysler, pelo segundo dia consecutivo, anunciou que planeja cortes de pessoal. Desta vez, os afetados devem ser aproximadamente 18,5 mil funcionários que não trabalham diretamente nas linhas de montagem, ou cerca de 25% dos funcionários desses setores.   Commodities   Um outro sinal do desaquecimento econômico mundial tem sido a queda dos preços das commodities, especialmente o petróleo. Preocupados com a perda de receita com a desvalorização do produto, os países da Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) decidiram cortar a produção em 1,5 milhão.   Apesar da decisão, o preço do produto continuou caindo. Em Londres, o barril do tipo Brent recuou para menos de US$ 62. Commodities importantes na pauta de exportações brasileira, como o café, o açúcar e a soja, também registraram desvalorização nesta semana.   Europa e Ásia   Dados de empresas européias reforçaram o pessimismo no continente. A montadora francesa PSA Peugeot Citroën, por exemplo, anunciou que prevê "imensos" cortes de produção no último trimestre do ano, depois de ter registrado uma queda nas vendas de 5,2% no terceiro trimestre.   Outra montadora francesa, a Renault, anunciou que fechará quase todas suas fábricas na França por pelo menos uma ou duas semanas para ajustar sua produção aos estoques elevados, decorrentes da queda das vendas nos últimos meses.   O índice FTSEurofirst 300, que reúne algumas das principais ações européias, caiu 4,9%, atingindo 829,73 pontos, o nível mais baixo em mais de cinco anos. Em Londres, o índice FTSE 100 caiu 5%; em Paris, o Cac 40 recuou 3,54% e o Dax, de Frankfurt, fechou com baixa de 4,96%. Em Moscou, os negócios na bolsa de valores foram suspensos pelo menos até terça-feira, depois que o principal índice, o RTS, caiu 13,68%.   Dados de companhias também afetaram negativamente os pregões na Ásia. Em Tóquio, o índice Nikkei da bolsa do Japão caiu 9,6%, depois que a empresa de produtos eletrônicos Sony divulgou que a previsão de lucro do ano caiu pela metade.   A valorização acentuada do iene frente ao dólar, que prejudica os exportadores japoneses, também foi apontada por especialistas como uma das razões da queda. Na Coréia do Sul, a bolsa caiu 10,6%, com a empresa Samsung, também do setor de eletrônicos, divulgando que seus lucros terão queda de 44% no terceiro semestre.

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