Bovespa cai 6%, seguindo clima negativo no exterior

Mercado global desaba com temores de recessão nos EUA e seu provável impacto sobre a economia

Agência Estado,

21 de janeiro de 2008 | 11h23

O temor de recessão nos Estados Unidos e o clima negativo no exterior levaram a Bolsa Valores de São Paulo (Bovespa) a despencar logo no início do pregão desta segunda-feira, 21. Às 11h20, o principal índice já caía 6,02%, aos 54.402 pontos. No mercado norte-americano, onde só há negociações no pregão eletrônico de índices futuros (até as 13h de Brasília) devido ao feriado de Martin Luther King Jr., o S&P 500 operava em baixa de 4,13% e o Nasdaq-100 futuro em queda de 3,57%. Na Europa, as bolsas fecharam em forte queda. Veja também: Com a crise nos EUA, mercado já fala em alta de juros em 2008 Real foi moeda que menos se desvalorizou após a crise De acordo com analistas, a piora nesta segunda-feira ainda reflete a frustração dos investidores com as medidas de desoneração fiscal anunciadas na última sexta-feira pelo governo Bush. Frustrado com a iniciativa da Casa Branca, o mercado passou a pressionar por uma ação rápida do banco central norte-americano (Fed) para resolver, ou pelo menos amenizar, a crise. A reunião do Fed está marcada para o dia 30 deste mês, mas, especialmente depois de as medidas anunciadas na sexta terem sido avaliadas como insuficientes, o mercado passou a tratar com maior seriedade a hipótese de o Fed antecipar a decisão. O fato é que muitos investidores já consideram que um corte de 0,5 ponto porcentual no juro americano é insuficiente para conter uma recessão no país. Contudo, a inflação americana está em um nível alto, tendo passado de 4% em 2007 - patamar elevado para uma economia com histórico de estabilidade como a dos EUA. Ou seja, a decisão do Fed não será simples: o país precisa de juro menor neste momento, mas tem uma pressão de alta sobre os preços. Trata-se de um cenário que muitos analistas já consideram estagflação - recessão com inflação. Atualmente, o juro americano está em 4,25% ao ano. A forte queda do Ibovespa acompanha as bolsas européias, que dão sinais de vendas de pânico nesta manhã. Segundo Axel Rudolph, analista técnico chefe da Dow Jones para a Europa, se a atual pressão de vendas continuar pela próxima hora, outro forte tombo pode ocorrer e levar os mercados a caírem mais de 10%. Na mínima esta manhã, a Bolsa de Frankfurt chegou a cair mais de 7%. Às 10h09 (de Brasília), Londres operava em baixa de 5,34%, Paris de 6,66% e Frankfurt de 6,85%. O ambiente na Europa se deteriorou ainda mais com as preocupações sobre as seguradoras de bônus, especialmente a ACA Capital, Ambac e MBIA. Essas companhias vendem seguros contra perdas no mercado de dívidas para as instituições financeiras. O Merrill Lynch, por exemplo, já anunciou baixas contábeis devido aos problemas de possível insolvência da ACA. Desde sexta-feira, correm pelas mesas de operações da Europa rumores de que alguns bancos poderiam anunciar novas perdas, entre eles o Société Générale e o UBS. "Com os problemas nas seguradoras de bônus, é razoável imaginar que mais prejuízos possam acontecer", avalia uma analista. O WestLB já informou hoje que espera anunciar prejuízo líquido próximo de 1 bilhão de euros (US$ 1,44 bilhão) referente a 2007. Mercado asiático Na sexta-feira, Wall Street fechou em baixa, com o índice Dow Jones perdendo 4% no acumulado da semana, e a Ásia ecoou a ressaca desse pessimismo vindo dos Estados Unidos. O índice Nikkei de Tóquio fechou com queda de 3,8%, no nível mais baixo desde outubro de 2005.  Em Hong Kong, o índice Hang Seng encerrou o pregão com perdas de 5,49%. As H-shares, ações de empresas chinesas, caíram 7,07%. O índice SSE Composite de Xangai fechou em queda de 5,1%. Outros mercados, como Coréia do Sul, Austrália, Cingapura, Taiwan e Filipinas também apresentaram nítida queda.  Grande parte das empresas manufatureiras da Ásia exportam para os Estados Unidos, e uma redução no consumo dos americanos significa desempenho fraco para as companhias da região.  Bancos  Além disso, está sendo questionada a noção de que os bancos asiáticos teriam sofrido menos que os europeus e americanos com a crise de crédito no mercado imobiliário dos Estados Unidos, desencadeada ano passado.  Em reportagem de capa, o jornal South China Morning Post de Hong Kong desta segunda-feira revela que o banco Bank of China deverá anunciar em abril, quando divulgar os resultados finais do ano passado, perdas de US$ 7,95 bilhões relacionada à crise das hipotecas.  O Banco Industrial e Comercial da China (ICBC) e o Banco da Construção da China (CCB) também sofreram com o mesmo problema, informa o jornal. No ano passado o ICBC anunciou perdas de US$ 1,23 bilhão e o CCB de US$ 1,06 bilhão com as hipotecas sub-prime nos EUA.

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