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Bovespa cai 7,74%; dólar chega a R$ 2,14 e zera baixa do ano

Ações de empresas brasileiras já somam perdas de US$ 209,7 bilhões desde o começo da crise nos mercados

Agência Estado e Reuters,

16 de agosto de 2007 | 13h23

A Bolsa de Valores de São Paulo continuava em grande queda nesta quinta-feira, 16, caindo 7,74% às 14h16. A mínima chegou a 8,82% no dia, por volta das 14 horas. Desde o começo da crise, por volta de 19 de julho, as ações das grandes empresas brasileiras perderam US$ 209,7 bilhões de seu valor de mercado.   Para zerar os ganhos neste ano, a Bovespa precisa cair apenas mais 5%. Caso isso ocorra, a praça paulista inverterá momentaneamente uma trajetória de altas em quatro anos seguidos, com +97,34% em 2003, +17,81% em 2004, +27,71% em 2005 e +32,93% no ano passado.   O dólar acompanhava a expressiva piora nos mercados globais e disparava quase 5 %, recuperando toda a queda acumulada no ano. Às 14h04, a moeda norte-americana era cotada a R$ 2,136, em alta de 5,17%. A valorização era provocada pela saída de capitais em meio ao agravamento das preocupação com o setor de crédito nos Estados Unidos.   Poucos minutos depois, o dólar subia ainda mais, 5,42%, sendo cotado a R$ 2,141 para venda.   As crescentes incertezas com o impacto da volatilidade nascida do setor de hipotecas de alto risco (subprime) dos Estados Unidos estão derrubando as ações de instituições financeiras de diversas partes do mundo. Cresce também o temor de que essa turbulência contagie a economia global. Especulações de que o Federal Reserve poderá anunciar uma redução nos juros voltaram a ganhar corpo nos mercados.     "As condições do mercado de crédito são agora análogas a uma crise bancária secundária", disse Tim Bond, economista do Barclays Capital. "Os mercados acionários passaram a sinalizar uma desaceleração econômica global norteada por uma crise financeira em agravamento". Segundo ele, os mercados acionários parecem estar esperando um resultado muito pior para o crédito "do que os próprios mercados de crédito estão descontando".     Na Europa, o principal índice teve a maior queda em mais de quatro anos nesta quinta-feira, puxado pelas perdas no setor financeiro em meio ao agravamento dos temores de que a piora nas condições de crédito possam afetar o crescimento econômico.     Segundo dados preliminares, o índice FTSEurofirst 300, que reúne as principais ações das empresas européias, despencou 3,2%, para 1.443 pontos. É o menor nível desde meados de março, e foi a maior queda percentual desde maio de 2003.     Seguindo o ritmo, as bolsas norte-americanas abriram em baixa. Às 10h41, o Dow Jones perdia 0,72%, o Nasdaq recuava 0,41% e o S&P 500 operava em -0,66%. O Federal Reserve está injetando dinheiro nos mercados desde o início da manhã. Já o Banco Central Europeu ficou de fora do mercado pelo segundo dia seguido.     Na Ásia, a história não foi diferente. As bolsas fecharam com fortes quedas e o indicador que reúne os mercados da região registrou a maior baixa diária desde os ataques contra os Estados Unidos em setembro de 2001.     O iene japonês continua sua trajetória de valorização, com os investidores demonstrando ferozmente as operações de carregamento (carry trades) financiadas pela moeda japonesa. Com isso, o dólar da Nova Zelândia, uma das principais moedas financiadas por esses carry trades, caiu 2,9% diante do iene - a queda acumulada em uma semana já ultrapassa os 14%. Em relação ao dólar a queda do dólar foi de 2,5%, a maior desde 1987.     Continuidade     Entre os analistas, a percepção dominante é de que a "correção" ainda tem fôlego para continuar e, talvez, ser ainda mais acentuada. Alguns, mais otimistas, avaliam que os preços dos ativos estão se aproximando de níveis muito atraentes, o que em determinado momento atrairá a volta das compras. Mas, pelo menos por enquanto, essa tese não tem sido corroborada pelos acontecimentos.     "Pode ocorrer em algum ponto, como vimos nas últimas semanas, sopros temporários de recuperação nos preços dos ativos, mas a direção inquestionável dos mercados neste momento é só uma: para baixo", disse um estrategista de um banco espanhol. "O problema é tentar adivinhar onde fica o fundo do poço."

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