Bovespa cai e fecha no menor nível desde setembro

Mais uma vez os negócios foram influenciados por temores sobre a crise no setor imobiliário de risco dos EUA

Agência Estado,

16 de janeiro de 2008 | 18h24

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) operou em queda durante toda a quarta-feira. Mais uma vez os negócios foram influenciados pelo temor de que a crise no setor imobiliário de risco dos Estados Unidos (subprime) contamine a economia norte-americana e o país entre em recessão. Desta vez, o balanço do JP Morgan do quarto trimestre decepcionou os investidores, assim como aconteceu com o Citigroup ontem. No final do dia, a Bovespa caiu 1,89%, em 58.777 pontos, no pior fechamento desde 24 de setembro. Na mínima do pregão, a Bolsa chegou a ceder 3% e quase perdeu o patamar dos 58 mil pontos. O dólar comercial encerrou o dia cotado a R$ 1,7730, em alta de 1,20%. Veja também: Fluxo cambial negativo decorre da crise nos EUA Perdas com crédito devem ser piores que o esperado, diz FMI Economistas questionam 'descolamento' de emergentes da crise  Expansão do País depende da crise nos EUA, diz Meirelles   O volume de negócios na Bolsa foi de R$ 7,3 bilhões, o maior do ano. "Já havia perspectiva de que o dia poderia ser ruim, mas a queda não parece ser só por giro, parece movimento de venda de posição. Deve ter estrangeiro querendo liquidar algumas carteiras. As blue chips estão caindo muito", afirmou o operador de uma corretora nacional, que prefere não se identificar. Petrobras perdeu 3,77%, fechando a R$ 74,60; Vale caiu 4,12%, a R$ 45,35, e Gerdau recuou 4,39%, para R$ 47,90. Segundo dados da Bovespa, os estrangeiros têm reduzido sua posição em ações brasileiras. De 2 a 11 de janeiro, o saldo de investimento externo no mercado acionário brasileiro está negativo em R$ 1,875 bilhão.Nem os dados do CPI (inflação no varejo) de dezembro nos EUA, que vieram quase em linha com as previsões dos analistas, e a produção industrial norte-americana melhor do que o esperado mudaram o humor dos investidores. E, no início da tarde, o nervosismo ficou mais forte com o aumento inesperado dos estoques semanais de petróleo nos EUA, o que pode ser mais um indicativo de esfriamento da atividade naquele país. Quase no fechamento dos negócio, foi divulgado o resultado do livro bege - que é um sumário sobre as condições da economia norte-americana que servirá de base para as decisões de política monetária a serem tomadas na próxima reunião do Comitê de mercado Aberto (Fomc), em 29 e 30 de janeiro. De acordo com o documento, a atividade expandiu-se "modestamente" no período entre meados de novembro e dezembro, mas a um ritmo mais lento do que no período da pesquisa anterior. Repercussão no Brasil No Brasil, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que o momento é de atenção. Segundo ele, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou que a equipe econômica ficasse "bastante vigilante" aos movimentos da economia internacional para, se for necessário, tomar medidas. Em sua primeira entrevista após retornar de um período de férias, Mantega assegurou que, por enquanto, não há necessidade de o governo tomar atitudes para enfrentar a crise nos mercados internacionais, agravada com os dados negativos sobre as vendas no varejo e inflação no atacado nos EUA, além das perdas apuradas pelos bancos. Ele avaliou que o Brasil está muito bem posicionado para enfrentar essa piora do quadro, tanto do lado dos fundamentos econômicos, quanto do mercado interno, que podem compensar eventuais perdas que os exportadores brasileiros venham ter. Mantega previu que o Brasil terá um crescimento robusto em 2008, em torno de 5%. Mais cauteloso, o presidente do Banco central, Henrique Meirelles, disse no início da tarde em São Paulo que o crescimento do Brasil neste ano vai depender muito do impacto da crise nos Estados Unidos. Na sua avaliação, os efeitos dos problemas no nível de atividade na economia norte-americana podem ser sentidos pelo Brasil não só pelas exportações do País para os EUA mas também nas importações da maior economia do planeta e de outros países e, eventualmente, também afetar os preços internacionais das commodities. "Se os EUA tiverem um problema grave isso não é bom para ninguém, vai afetar todo mundo, inclusive o Brasil." Meirelles ressaltou que não há ainda nenhuma necessidade de medidas específicas. "O mercado brasileiro está líquido. O mercado de reais não tem enfrentado problemas que outros países enfrentaram em suas moedas locais. Portanto, não vemos necessidade de medidas pontuais nessa área, a mesma coisa pode-se dizer também do mercado de dólares no Brasil, que está normal." Amanhã, o mercado externo continuará no foco das atenções dos investidores, uma vez que a agenda dos EUA seguirá importante e quatro diretores do Fed, além do seu presidente do banco central americano, Ben Bernanke, falarão.

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