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Bovespa cai forte no fim do pregão e perde os 60 mil pontos

Preocupações com a crise de crédito derrubam a Bolsa; dólar sobe mais de 1% e fecha cotado a R$ 1,824

Reuters,

26 de novembro de 2007 | 18h16

A Bolsa de Valores de São Paulo terminou a segunda-feira em forte queda e abaixo dos 60 mil pontos pela primeira vez desde o final de setembro. O movimento de venda predominou na última meia hora do pregão na Bolsa paulista, que havia passado boa parte do dia com desvalorização inferior a 1%.   Mais preocupações sobre a crise de crédito que teve origem em problemas no setor imobiliário dos Estados Unidos atormentaram investidores, motivando queda de ações de bancos em Wall Street. O principal índice da Bolsa encerrou em queda de 3,12%, a 59.060 pontos. O volume financeiro foi de pouco menos de R$ 5 bilhões.   Em Nova York, os principais índices de ações exibiam baixa perto de 1% cerca de uma hora antes do fechamento.   Dólar   O dólar teve um dia de volatilidade e, em meio à maior aversão ao risco no exterior, subiu 1,11% frente ao real. A moeda norte-americana fechou a R$ 1,824, na maior cotação desde 4 de outubro. Em novembro, a alta acumulada pelo dólar é de 5%.   O câmbio foi pressionado por dois fatores, segundo analistas: a busca de estrangeiros por ativos considerados de menor risco, como já havia ocorrido nos últimos dias, e a incerteza dos investidores quanto a uma maior atuação do governo no mercado.   Após cair 1,16% nos primeiros minutos de negócios, o dólar inverteu o rumo e, ainda pela manhã, subia mais de 1%.   "Os agentes acabam ficando indecisos. O que é mais fácil? Ir junto, acompanhar o movimento", disse Carlos Alberto Postigo, operador da Action Corretora, explicando a amplitude das variações.   Por trás da incerteza com a atuação do governo estão dúvidas sobre o fundo soberano do Brasil, cuja possível criação tem sido comentada por autoridades da área econômica.   Na quinta-feira, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que pretende adquirir no mercado ao menos 10 bilhões de dólares para a formação do fundo.   O governo já intervém no mercado de câmbio por meio do Banco Central, que tem comprado dólares diariamente para reforçar as reservas internacionais.   "Eles (governo) estão criando uma tensão no mercado", disse Júlio César Vogeler, operador de câmbio da corretora Didier Levy.   Fundos soberanos foram criados por países como a Rússia, que têm recursos considerados excedentes para investir no mercado financeiro e diversificar suas aplicações.   Mas Roberto Padovani, economista-chefe do Banco WestLB do Brasil, não vê motivos para atribuir a alta do dólar somente aos rumores sobre o fundo.   "Está difícil de entender esse movimento do real. A novidade é essa mesma, do fundo soberano, mas não acho (que seja) forte a ponto de mexer o mercado com essa rapidez", disse o economista, que não viu outro fator além da saída de estrangeiros para explicar a queda do real.   Desde o dia 14, quando o dólar caiu para o menor nível desde 2000, as compras líquidas de dólar futuro pelos estrangeiros superaram US$ 3,5 bilhões, segundo dados da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F).   Além da recente turbulência externa, que diminuiu o apetite por risco, o final de ano tradicionalmente provoca um aumento das remessas de lucro para o exterior.   Para Vogeler, esse movimento pode ser compensado pela oferta pública inicial de ações (IPO) da BM&F. O IPO da Bovespa foi considerado um dos principais fatores para a queda do dólar em outubro.   O mau humor do mercado também repercutiu o resultado da balança comercial, que teve superávit de apenas US$ 139 milhões na quarta semana de novembro. As operações comerciais têm sustentado o fluxo de câmbio nos últimos meses com a turbulência nos mercados globais.

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