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Bovespa cai mais de 3% e zera ganhos do mês

Volume financeiro fica em R$ 5,6 bilhões, bem acima da média diária do ano

Juliana Siqueira, Reuters

26 de julho de 2007 | 17h16

Sacudidos pela fuga dos investidores em busca de ativos considerados mais seguros, os mercados brasileiros tiveram um dos piores dias do ano nesta quinta-feira, 26. O temor com a crise no mercado de crédito imobiliário dos Estados Unidos atingiu em cheio os mercados emergentes e as principais bolsas de valores do mundo. Analistas não batem o martelo sobre a extensão da turbulência, mas acreditam que o Brasil tem bons fundamentos.  Dólar dispara 3,27% e tem maior alta desde maio de 2006Queda dos mercados é causada por EUA, diz MantegaOuça áudio com comentário de Celso Ming  A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou em queda de 3,76%, para 53.893 pontos, zerando os ganhos do mês, que até segunda-feira somavam quase 7%. Na mínima do dia, o indicador chegou a cair 6%. Agora, no acumulado de julho, a Bolsa apresenta queda de 0,92%. O volume financeiro ficou em R$ 5,6 bilhões, bem acima da média diária do ano, de R$ 4,1 bilhões. Dos 59 papéis do Ibovespa - índice que mede o desempenho das ações mais negociadas na Bolsa - , somente um subiu, Gol . Os dois principais papéis, Petrobras e Companhia Vale do Rio Doce, perderam 3,63% e 3,71%, respectivamente.    O risco Brasil - que mede a desconfiança do investidor estrangeiro na capacidade de pagamento da dívida do País - disparou 38 pontos, para 221 pontos-básicos, maior nível desde o fim do ano passado. Em Nova York, o índice de principais ADRs (principais títulos de empresas brasileiras negociados em Nova York) recuou 5,37 %.           A moeda norte-americana, por sua vez, fechou a R$ 1,9280, com valorização de 3,27% - maior alta em um dia desde maio de 2006. No mês em que o dólar caiu para o menor patamar desde setembro de 2000, porém, a moeda ainda acumula leve baixa de 0,10%. "É no mundo inteiro um movimento de ''fly to quality'' (fuga para qualidade), saindo de investimentos de maior risco para ativos de menor risco como os títulos do Tesouro norte-americano... A diferença é que (os ativos) no Brasil tiveram uma valorização muito forte (antes). Quando a alta é maior, o tombo é maior também", disse Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating. Para a Modal Asset Management, a situação parece mais séria do que as correções vistas no começo do ano. "É o terceiro grande ''espasmo'' nos mercados neste ano: o primeiro ocorreu quando a bolsa chinesa despencou em fevereiro; o segundo verificou-se quando a questão dos empréstimos ''subprime'' eclodiu em março", citou em relatório.Já o diretor de renda variável da BNP Asset Management, Jacopo Valentino, avalia que esta ainda é uma correção temporária. "O mercado estava um pouco otimista demais. Olhando o lado técnico, estava esticado. Estava subindo muito rápido, em uma velocidade que obviamente não dava para sustentar por muito tempo", disse.Agostini também acredita que este seja mais um ajuste passageiro diante de "um cenário que não é mais tão favorável", mas ressalva: "se os balanços que forem divulgados saírem com prejuízos ou muito abaixo das expectativas, o mercado vai sofrer mais volatilidade". Sinais de contágio Nesta quinta, a notícia de que o fundo de hedge (que investe em ativos mais seguros) australiano Absolute Capital Group, especializado em obrigações de dívida com colateral (CDO), anunciou a seus investidores a suspensão dos resgates de dois de seus fundos, é motivo de tensão esta manhã. O Absolute Capital Group tem 50% de participação do holandês ABN Amro. Os fundos Absolute Yield Strategies Funds e Capital Yield Strategies Fund NZD, que juntos possuem 200 milhões de dólares australianos investidos, suspenderam os resgates por parte dos investidores até 25 de outubro, devido à "atual ausência de liquidez nos mercados globais de crédito estruturado". Nesta semana, um outro fundo australiano, o Basis Capital apontou o Blackstone Group, dos EUA, para atuar como conselheiro financeiro em dois de seus fundos, numa tentativa de evitar uma venda adversa de seus ativos. Os resultados favoráveis de empresas divulgados nos EUA entre ontem e hoje estão ficando em segundo plano, diante das crescente preocupações com a extensão da crise no mercado de hipotecas de alto risco. Nos EUA, as construtoras norte-americanas de imóveis Beazer Homes e a D.R. Horton anunciaram prejuízo trimestral, refletindo a desaceleração do setor imobiliário nos EUA.Os mercados examinam os comentários feitos pela Beazer, de que não sabe quando as condições "desafiadoras" do mercado irão melhorar e pela Horton, que destacou os padrões de crédito mais rígidos atuais da indústria hipotecária.  O preço do petróleo nos EUA chegou a superar US$ 77 o barril, o maior patamar em 11 meses e voltou a operar no mesmo nível do Brent londrino. Analistas e traders ressaltaram que o movimento é puramente especulativo, depois que os relatórios sobre os estoques norte-americanos foram interpretados como neutros para a maioria.    

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