Bovespa cai, mas tem 1ª semana positiva desde 19 de setembro

Seguindo piora dos índices em Nova York, Bolsa de São Paulo inverte tendência e fecha em queda de 0,12%

Paula Laier, da Agência Estado,

17 de outubro de 2008 | 17h38

Depois de subir mais de 5% ao longo do pregão, com a recuperação do preços das commodities no mercado internacional, a Bolsa de Valores de São Paulo fechou nesta sexta-feira, 17, em leve queda de 0,12%, aos 36.399 pontos, seguindo a piora dos índices em Nova York. Na semana, contudo, a Bovespa registrou valorização de 2,22% - a primeira alta semanal desde a semana encerrada no dia 19 de setembro.   Veja também: Em semana cheia de ações do BC, dólar acumula queda de 8,8% Consultor responde a dúvidas sobre crise   Como o mundo reage à crise  Entenda a disparada do dólar e seus efeitos Especialistas dão dicas de como agir no meio da crise A cronologia da crise financeira  Dicionário da crise    No mercado norte-americano, os principais índices caíram com a fraqueza das ações de manufatureiros e de financeiras após dados desanimadores sobre a confiança do consumidor e sobre o setor de construção. O índice Dow Jones, referência da bolsa de Nova York, recuou 1,41%, para 8.852 pontos. O termômetro de tecnologia Nasdaq caiu 0,37%, para 1.711 pontos. O índice Standard & Poor's 500 teve desvalorização de 0,62%, para 940 pontos.   Mas os acumulados na semana foram positivos e o índice Dow conseguiu quebrar uma seqüência desastrosa de três quedas semanais consecutivas com a melhor semana em 5 anos e meio. Na semana, o Dow subiu 4,75%, enquanto o S&P 500 avançou 4,6%, fechando sua melhor semana desde fevereiro. O Nasdaq teve alta de 4,1% na semana, o melhor resultado desde o início de agosto. De acordo com participantes do mercado, a volatilidade permanece como o "nome do jogo" no curto prazo. "O mercado não tem direcional, está 'amassado' e as incertezas persistem", comentou um profissional da área de renda variável de uma corretora em São Paulo. Para ele, o Ibovespa pode ter batido o "fundo" na semana passada, e ao deixar de precificar o pior no que diz respeito a uma ruptura abre espaço para uma correção. "Mas não tem força pra subir porque está claro que a recessão será forte e longa", ponderou.   "Muitos investidores - fundos, bancos, empresas e pessoas físicas - estão machucados, e bem machucados. É normal, então, diante de um cenário pessimista como o atual, que cada notícia, dado econômico ou declaração de alguma autoridade leve a várias interpretações e conseqüentemente uma movimentação brutal dos preços dos ativos", explicou Fernando Barbará, gestor de renda variável na Ático Asset Management.   Nesta sexta-feira, os participantes do mercado até tentaram mirar o noticiário corporativo favorável às companhias brasileiras, com a alta nos preços de commodities ajudando esse ânimo, embora o comportamento das bolsas nos Estados Unidos não tenha saído do radar. A oscilação em Wall Street, aliás, foi o que intensificou os movimentos do Ibovespa, ora acelerando a alta ora reduzindo o avanço. No última meia hora de pregão isso ficou muito claro, quando a ampliação das perdas nos EUA foram reduzindo a alta da Bolsa brasileira, até ela reverter o sinal para negativo e fechar no vermelho.   Apesar da volatilidade em Nova York seguir como pano de fundo dos negócios no mercado acionário brasileiro, a valorização nos preços de commodities permitiu altas mais expressivas em boa parte da sessão local. Além da elevação em itens agrícolas e metais, o petróleo também apreciou-se nesta jornada: contrato do óleo para novembro encerrou em alta de 2,86% na Nymex, a US$ 71,85. Nesse contexto, Petrobras PN aumentou 3,56% e Petrobras ON avançou 2,50%. Vala PNA ganhou 3,63% e Vale ON subiu 3,53.   Empresas   O noticiário doméstico corporativo também mereceu atenção e influenciou o comportamento das ações. Uma das notícias foi o anúncio da CSN de que fechou parceria com um consórcio de empresas asiáticas para vender 40% da Namisa, sua unidade de minério de ferro, por US$ 3,12 bilhões à vista - operação saudada como bastante positiva numa conjuntura como a atual, o que começa a permitir a construção de uma perspectiva melhor em meio à crise global. A ação ON da CSN encerrou em alta de 0,44%. Da safra de balanços, Aracruz e Votorantim Celulose e Papel (VCP) divulgaram logo cedo seus resultados trimestrais.   A Aracruz teve prejuízo líquido de US$ 545,9 milhões no terceiro trimestre em US Gaap, ante lucro de US$ 105,3 milhões no mesmo período de 2007. O resultado foi influenciado pelo lançamento de uma despesa não-operacional de US$ 1,1 bilhão, basicamente pelo resultado negativo de transações com derivativos. Pelos padrões contábeis brasileiros, o prejuízo foi ainda maior, R$ 1,569 bilhão, contra lucro líquido de R$ 260,506 milhões no mesmo período do ano passado. As ações PNB da Aracruz caíram 9,76% - segunda maior baixa do índice.   A VCP também saiu de lucro de R$ 282,861 milhões no terceiro trimestre de 2007 para prejuízo de R$ 585,465 milhões em igual período deste ano. A linha financeira líquida passou de positiva em R$ 110,883 milhões para negativa em R$ 957,989 milhões. O impacto do câmbio na dívida foi de R$ 465 milhões no 3º trimestre. As ações preferenciais da VCP lideraram as perdas do Ibovespa com recuo de 13,63%.   Outro destaque no front corporativo foi setor de telefonia. Brasil Telecom Participações ON, disparou 11,31% na liderança das altas do Ibovespa, reagindo a aprovação ontem à noite da proposta de reformulação do Plano Geral de Outorgas (PGO), que permitirá a conclusão da compra da Brasil Telecom pela Oi. O texto da Anatel elimina as restrições a fusões, mas proíbe que um mesmo grupo empresarial tenha mais de duas concessionárias de telefonia fixa, ou seja, a Oi/BrT não poderia, por exemplo, comprar a Telefônica ou a Embratel, ou ser comprada por uma delas.   As ações preferenciais da BRT Participações, contudo, registraram queda de 7,42%, seguidas por OI ON, que recuou 3,24%. Como ontem esses papéis também subiram bem na expectativa da aprovação do novo PGO, hoje os investidores teriam devolvendo ganhos.   Ainda vale lembrar que na segunda-feira ocorre vencimento de opções sobre ações na Bovespa, bem como o horário do pregão será alterado em razão do início do horário de verão no País. A sessão regular passa a operar das 11h às 18h e o after market irá operar, ininterruptamente, das 18h30 às 19h30.

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