Bovespa cai no dia, mas trimestre é o melhor desde 2005

Investidores encontraram em um dado pior sobre a confiança nos Estados Unidos o argumento para vender ações brasileiras no último pregão de junho e realizar lucro ante o fechamento do primeiro semestre, o que devolveu o Ibovespa para o nível de 51 mil pontos nesta terça-feira.

PAULA LAIER, REUTERS

30 de junho de 2009 | 19h23

Após subir 0,57 por cento, na máxima, pela manhã, aos 52.435 pontos, o principal índice do mercado acionário brasileiro encerrou em baixa de 1,29 por cento, a 51.465 pontos. O volume financeiro do pregão somou 5,16 bilhões de reais.

A queda na confiança do consumidor norte-americano para 49,3 em junho, de 54,8 em maio, azedou o humor em Wall Street e no segmento de commodities no fim da manhã, contaminando a bolsa brasileira, que reverteu as altas da abertura.

Diante de um declínio ao redor de 2 por cento do petróleo e perto de 1 por cento no Dow Jones, o Ibovespa sucumbiu.

As blue chips Petrobras e Vale foram responsáveis pelo recuo à tarde, com a ação preferencial da estatal recuando 1,82 por cento, a 32,45 reais, e a da mineradora declinando 1,49 por cento, a 29,85 reais.

MELHOR TRIMESTRE DESDE 2005

A queda de pouco mais de 1 por cento nesta sessão e mesmo o declínio de 3,26 por cento em junho, contudo, não impediram que o Ibovespa encerrasse o segundo trimestre com o melhor desempenho para o período desde 1997 (quando subiu 39 por cento) e maior valorização trimestral desde o terceiro trimestre de 2005 (quando ganhou 26 por cento) ao acumular um ganho de 25,75 por cento.

No ano, a alta alcança 37 por cento.

De acordo com o diretor do Modal Asset, Alexandre Póvoa, a bolsa brasileira foi beneficiada pelos sinais de retomada da China que, sem entrar no mérito da consistência desses indicadores, foi a única a sinalizar uma recuperação.

"Isso ajudou as commodities e metade (das ações) da bolsa a dar uma boa recuperada", destacou.

A bolsa também foi ajudada pelo desempenho dos papéis do setor de consumo, favorecido pelas medidas fiscais e de política monetária de estímulo a economia, acrescentou o economista. "No Brasil, a produção caiu bastante, enquanto o consumo recuou menos."

Póvoa atribuiu a queda em junho a uma realização parcial de lucros por parte de estrangeiros, principais personagens para o rali desde março, e à falta de fluxo de investidores locais, mais reticentes. "Quem não pegou o barco não quis entrar depois, na hora da realização, principalmente diante da continuidade de várias dúvidas com o cenário externo."

PÂNICO PASSOU, MAS 2o SEMESTRE PODE TER AJUSTE

Para o segundo semestre, Póvoa diz que a boa notícia é que o cenário de uma crise mais profunda passou. Logo, será difícil haver uma nova rodada de pânico.

Mas isso não significa um horizonte sem ajustes. Ele avalia que mercado subiu muito rápido, exagerando na antecipação da melhora da economia, o que pode levar a uma correção no próximo trimestre.

O diretor do Modal também destacou que, no Brasil, o segundo semestre será o primeiro grande teste com o juro real baixo. "Isso deve trazer mais dinheiro para investimento de risco", avalia.

Pesquisa da Reuters aponta que o Ibovespa deve fechar 2009 em 55 mil pontos, segundo a mediana das previsões de 18 analistas e administradores de fundos entrevistados. As previsões variaram de 45 mil pontos a 70 mil pontos.

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