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Bovespa cai pelo 4º dia consecutivo e acumula perda de 7,19%

Bolsa de SP segue perdas em Nova York e fecha em queda de 2,02%, puxada por setores siderúrgico e bancário

Claudia Violante, da Agência Estado,

19 de novembro de 2008 | 18h28

A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) acompanhou o sinal negativo das bolsas norte-americanas e fechou em baixa pela quarta sessão consecutiva. No período, acumulou perdas de 7,19%. Um índice de inflação e um dado do setor de moradias afetaram as ações em Wall Street, além das preocupações com as problemáticas montadoras. Aqui, os setores siderúrgico e bancário lideraram as ordens de vendas, ainda fortes nas blue chips Vale e Petrobras.  Veja também:Dólar reflete temores sobre economia global e sobe 2,67%De olho nos sintomas da crise econômica  Lições de 29Como o mundo reage à crise  Dicionário da crise   O Ibovespa fechou em baixa de 2,02%, aos 33.404,55 pontos. Oscilou entre a mínima de 33.275 pontos (-2,4%) e a máxima de 34.786 pontos (+2,03%). No mês, acumula perdas de 10,34% e, no ano, de 47,71%. Por causa do feriado do Dia da Consciência Negra amanhã em algumas cidades brasileiras, entre elas São Paulo, o giro foi ainda mais fraco e somou US$ 2,897 bilhões. Os dados são preliminares. Às 18h19, o Dow Jones caía 3,05%, o S&P tinha baixa de 3,95%, e o Nasdaq perdi 4,04%.  O temor com o futuro das montadoras norte-americanas permeou os negócios nos mercados acionários dos Estados Unidos hoje, depois que os dirigentes da GM, Ford e Chrysler pediram ontem, no Congresso, uma ajuda financeira extra às empresas. Os parlamentares resistem a dar mais dinheiro às empresas e os analistas e economistas estão preocupados em saber onde isso vai parar.  Com esse quadro no pano de fundo, os índices divulgados hoje desagradaram. Em outubro, houve queda de 4,5% no número de construções de residências iniciadas nos EUA ante setembro, para o recorde de baixa de 791 mil. Na comparação anual, as construções iniciadas ficaram 38,0% abaixo do nível de outubro de 2007. As licenças para construção também caíram fortemente, em 12,0%, o quádruplo do recuo de 3,1% esperado por analistas.  Nos preços, também houve queda. Mas o que seria bom em tempos de aquecimento econômico é ruim em crises, já que mostra a fragilidade da atividade econômica. O CPI, o índice de inflação no varejo, registrou deflação em outubro, tanto no dado cheio quanto no núcleo, que é mais observado pelos analistas. A queda ante outubro foi de 1%, a maior desde fevereiro de 1947. No núcleo, o declínio atingiu 0,1%, o maior desde dezembro de 1982.  "A queda do CPI vai deprimir ainda mais o resultado das empresas", comentou a sócia-gestora da Global Equity, Patrícia Branco, em comentário enviado por e-mail. Ela aponta que a resistência do secretário do Tesouro dos EUA, Henry Paulson, em socorrer o setor automobilístico gera mais tensão. "Deixar só uma das três, GM, Ford ou Chrysler, quebrar arrasaria a cadeia produtiva, aumentando ainda mais o desemprego", reforçou.  No Brasil, as condições estão muito melhores do que as vistas nos Estados Unidos e Europa, basta ver os índices divulgados aqui hoje. A Receita comunicou que a arrecadação de impostos e contribuições federais atingiu o volume recorde R$ 65,4 bilhões no mês passado, com avanço real de 17,1% em relação a setembro e de 12,3% ante o mesmo mês de 2007. E o IBGE anunciou que a taxa de desemprego recuou para 7,5% em outubro, ligeiramente abaixo dos 7,6% em setembro e inferior à taxa registrada em outubro do ano passado, de 8,7%.  Apesar dos índices melhores, teremos contágio da crise, com a menor demanda de commodities. Isso é uma das principais razões a deprimir o Ibovespa, formado majoritariamente por ações de empresas ligadas ao setor de matérias-primas. Hoje, o setor siderúrgico foi um dos principais a operar no negativo, depois que a Votorantim Metais anunciou corte na produção de zinco e demissões. Vale ON, -2,15%, Vale PNA, -2,77%. O setor bancário também pressionou o Ibovespa para baixo, sendo que as ações da Nossa Caixa foram exceção em grande parte do dia. O governador de São Paulo, José Serra, reuniu-se hoje com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e cogitava-se que a venda do banco paulista para o BB seria um dos assuntos da pauta. Os papéis do BB fecharam com ligeira queda, de 0,6%, mas os demais tiveram retração forte. Nossa Caixa ON virou no final e caiu 0,37%.  As ações de Petrobras, que também chegaram a subir durante a manhã, retomaram o sinal negativo à tarde, influenciadas pelos preços deprimidos do petróleo. Petrobras PN recuou 4,29% e PN, 3,9%. Na Nymex, o barril fechou a US$ 53,62, baixa de 1,42%, no contrato para dezembro.  Ontem, o gerente-geral de novos negócios da área de Exploração e Produção, José Jorge de Moraes Júnior, falou sobre a revisão do plano de negócios. Hoje, em esclarecimento à CVM, a estatal informou que o plano de negócios ainda está em elaboração e, por isso, não possui no momento informações suficientes para afirmar sobre o adiamento e a antecipação de seus projetos e, conseqüentemente, sobre os seus possíveis impactos na curva de produção estimada para os próximos anos.

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