Bovespa cai quase 7%, impulsionada por 'pânico' na Europa

Medo dos efeitos de uma recessão nos EUA leva bolsas européias à pior queda desde o 11 de setembro

Agência Estado,

21 de janeiro de 2008 | 15h03

O risco de uma recessão na economia norte-americana bateu com força sobre os investidores na Europa nesta segunda-feira, 21. Algumas bolsas atingiram perdas semelhantes às verificadas no 11 de setembro, quando houve o ataque terrorista contra os EUA. A perda das ações européias chegou a US$ 300 bilhões. No Brasil, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) chegou perto de uma queda de 7%. Às 15h35, a baixa é de 6,78%.   Veja também:  Com a crise nos EUA, mercado já fala em alta de juros em 2008  Real foi moeda que menos se desvalorizou após a crise  A ordem para investidores é manter sangue-frio    Em Londres, o índice Financial Times fechou em queda de 5,48%. Em Frankfurt, o índice DAX despencou mais de 7%. Em Madrid, as ações recuaram 7,54%. Em Lisboa, baixa de 5,83%. E em Paris, o índice de ações caiu 6,83%. Nos Estados Unidos, as bolsas estão fechadas, devido ao feriado de Martin Luther King Jr.   Na Ásia, o principal índice da Bolsa de Tóquio fechou hoje no pior nível desde outubro de 2005, caindo 3,9%. Já a Bolsa de Hong Kong perdeu 5,5%, a maior queda em seis anos, depois que o BNP Paribas afirmou que o Bank of China poderá sofrer baixa contábil de US$ 4,8 bilhões relacionada a hipotecas subprime. A Bolsa da Índia, por sua vez, desabou 7,4%, mas ainda assim se recuperou de um tombo que chegou a superar 10% durante a sessão.   Não há nenhum fato concreto que possa ter detonado esta onda mais pessimista nesta segunda-feira. O mais provável é que as bolsas européias estejam reagindo hoje ao pacote de ajuda fiscal anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, na sexta-feira, 18. A ajuda de US$ 150 bilhões foi considerada insuficiente pelos investidores. Bush também não detalhou como essa ajuda será dada. Disse apenas que os consumidores serão os mais beneficiados.   Logo no início da tarde, de acordo com informações da Dow Jones, o diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, alertou que a situação econômica global em conseqüência de uma desaceleração dos EUA é "séria" e poderá ter impacto sobre as economias emergentes. "A situação é séria... todos os países do mundo estão sofrendo da desaceleração no crescimento nos EUA", disse Strauss-Kahn a repórteres. "Não é impossível que mesmo as nações emergentes possam sentir um certo efeito, que o crescimento pode ser mais fraco do que o esperado", disse.   Na Europa, a ministra das Finanças da França, Christine Lagarde, informou que os ministros das finanças dos 15 países da zona do euro irão discutir o forte tombo das bolsas européias durante reunião hoje. "Nós estamos preocupados", disse o ministro das Finanças espanhol, Pedro Solbes. "Nós vamos acompanhar os desdobramentos de perto".   Incertezas   Ninguém arrisca dizer qual será o humor dos investidores na terça, quando os mercados americanos vão reabrir após o feriado. Há opiniões dos dois lados. Se por um lado as perdas podem ficar ainda maiores, do outro a chance de que parte dos investidores aproveitem os baixos preços das ações para comprar papéis de empresas e, com isso, as bolsas podem subir.   Para o estrategista de renda fixa da Nomura International em Londres, Sean Maloney, quando o mercado norte-americano voltar às suas atividades normais amanhã, é mais provável que o elevado nervosismo registrado na Europa diminua. "Por outro lado, os investidores estarão acompanhando com muita atenção a divulgação diária de dados da economia dos EUA. Na atual conjuntura, cada informação relevante negativa pode aumentar a percepção de que os EUA estariam ingressando numa recessão, o que pode causar uma resposta negativa imediata nos mercados europeus", comentou.

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