Bovespa cai, seguindo mau humor externo e commodities

Queda nos preços de produtos como petróleo e metais e temor com efeitos da crise prejudicam a Bolsa

Sueli Campo, da Agência Estado, e Reuters,

11 de novembro de 2008 | 15h48

As seguidas notícias negativas sobre os efeitos da crise financeira na economia real, que têm levado importantes empresas norte-americanas a pedir concordata, dispensar pessoal, cortar produção e rever para baixo previsões futuras de crescimento, inibem as compras no mercado acionário global. Além de acompanhar o mau humor externo e refletir o medo dos investidores de que a crise também faça vítimas no setor corporativo brasileiro, a Bovespa é pressionada ainda pela queda dos preços das commodities.   Veja também: Crise financeira afeta atividades da GM nos EUA e Brasil De olho nos sintomas da crise econômica  Lições de 29 Como o mundo reage à crise  Dicionário da crise  Entenda a disparada do dólar e seus efeitos   Às 15h41, o principal índice da Bolsa de São Paulo caía 2,69%, aos 35.788 pontos. Mas o volume negociado é ainda mais baixo do que o da véspera, sugerindo para o encerramento apenas R$ 2,9 bilhões, afetado em parte pelo meio feriado nos Estados Unidos (Dia do Veterano).   O efeito China - o pacote de estímulo econômico anunciado no domingo, de US$ 586 bilhões - que ontem permitiu que as ações da Vale, Petrobras e siderúrgicas fechassem o pregão com ganhos superiores ao do Ibovespa (+0,30%), foi encoberto pelas preocupações com a economia real. Agora que os problemas no mercado interbancário internacional estão mais controlados, embora longe de voltar à normalidade, estão vindo à tona os problemas enfrentados pelas empresas diante das evidência de recessão nas principais economias do planeta.   Além do setor bancário, o automobilístico é um dos que está no topo das preocupações. O mercado teme pelo destino da General Motors, que passa por graves problemas de liquidez. Na sexta-feira, a montadora divulgou prejuízo líquido de US$ 2,5 bilhões no terceiro trimestre e alertou que está com um colchão pequeno entre suas reservas em caixa atuais e as exigências mínimas de financiamento das operações diárias. As ações da GM caíam 8% no início da tarde. A Alcoa também registrava perda expressiva, de 8,9%. A fabricante de alumínio de corte anunciou hoje cedo um corte adicional na sua capacidade anual de produção em suas usinas de fundição em todo o mundo de 350 mil toneladas.   Em Nova York, o índice Dow Jones acentuava a queda para 3,25%, enquanto o S&P 500 recuava 3,48% e o Nasdaq, 3,10%. Contribuem ainda para o pessimismo em Wall Street a queda nos resultados trimestrais divulgados pela construtora Toll Brothers e pela rede de cafeterias Starbucks, enquanto a American Express ganhou rápida aprovação do Federal Reserve para se tornar banco e, assim, ter acesso ao fundo de resgate do governo de US$ 700 bilhões. Embora tenha sido vista como positiva, a notícia da Amex levantou temores sobre o que ainda está por vir no setor financeiro lá.   No setor de commodities, o destaque são as ações de Petrobras, que operam em baixa, seguindo a desvalorização de mais de 5% do petróleo, que iniciava a tarde na faixa de US$ 58 o barril. A PN caía 3,26% e a ON registrava baixa de 3,79%, com os investidores esperando para depois do fechamento o balanço da companhia. Analistas ouvidos pela AE projetam novo lucro recorde, de R$ 9,5 bilhões no terceiro trimestre, o que representa uma alta de 71,8% em relação ao apurado entre julho e setembro de 2007. As ações da Vale reagem à queda dos metais e ao desaquecimento da demanda. A PNA caía 3,05% e a On -2,90% às 14h13.   O destaque de baixa do Ibovespa era Nossa Caixa, que perdia 12,88%, com os investidores embolsando os ganhos recentes. Além disso, segundo apurou a jornalista do AE Empresas e Setores, Stella Fontes, pesa sobre as ações de Nossa Caixa o noticiário relativo às negociações para venda da instituição ao Banco do Brasil. As ações do BB registravam baixa mais moderada, de 0,42%. Bradesco PN cedia 4,02%; Itaú PN -3,46% e Unibanco Units -3,69%.   Europa   As bolsas de valores européias terminaram em forte queda nesta terça-feira, pressionadas por ações do setor bancário e ligadas a commodities. Perspectivas corporativas fracas e uma série de dados econômicos desanimadores aumentaram as preocupações quanto a uma recessão global mais profunda.   O índice das principais ações européias FTSEurofirst 300 caiu 4,01%, a 885 pontos, depois de ter subido 0,9% na véspera. O índice perdeu mais de 41% este ano, pressionado pela crise de crédito e a conseqüente desaceleração econômica.   O setor bancário foi o que mais puxou o índice para baixo, com destaque para as ações de Lloyds, HBOS, UBS e HSBC. A principal queda do índice foi do maior banco italiano, o Intesa Sanpaolo, que se desvalorizou 16,9%. O banco seguiu o rival doméstico UniCredit ao tomar decisões difíceis para se fortalecer, informando que não irá fazer pagamento de dividendos em dinheiro.   Ações ligadas a commodities também foram pressionadas pelo declínio dos preços do petróleo e de metais. "Não é surpresa que investidores continuem assustados por uma onda de dados decepcionantes, e que previsões em relação ao crescimento econômico por todo o mundo continuem a cair", disse Henk Potts, estrategista de ações do Barclays Stockbrokers.   Em Londres, o índice Financial Times fechou em queda de 3,57%, a 4.246 pontos. Em Frankfurt, o índice DAX recuou 5,25%, para 4.761 pontos. Em Paris, o índice CAC-40 caiu 4,83%, para 3.336 pontos.   Em Milão, o índice Mibtel encerrou em baixa de 5,13%, a 16.197 pontos. Em Madri, o índice Ibex-35 registrou queda de 4,11%, a 8.911 pontos. Em Lisboa, o índice PSI20 teve recuo de 1,3%, para 6.603 pontos.

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